O que você faria se descobrisse que o seu momento de maior intimidade dentro do banheiro de uma instituição pública tivesse sido compartilhado por milhares de pessoas em grupos do Telegram e sites pornográficos, incluindo grupos de necrofilia?
Flávia Faria Lima, ex-coordenadora do Departamento de Fomento Indireto da Secretaria de Fomento e Incentivo à Cultura no governo Bolsonaro foi uma das vítimas do servidor Pablo Silva Santiago, de 39 anos. Ele gravava mulheres sem consentimento em banheiros no Ministério da Cultura.
Flávia relatou a este site o abandono institucional após o escândalo:
“Diante de um fato gravíssimo como esse, que choca e desestabiliza qualquer mulher exposta, o MinC falha em oferecer ações imediatas de amparo, especialmente para nós, que não somos mais servidoras. Seguimos assustadas e desassistidas, obrigadas a nos reunir para buscar informações coletivamente.”
A vítima ainda relatou o medo sobre o processo.
“Tivemos nossos direitos gravemente violados, com riscos sérios, inclusive de manipulação das imagens por criminosos psicopatas. E, mesmo diante dessa gravidade, seguimos sem acesso a informações detalhadas, sem possibilidade de acompanhar de perto as investigações e completamente sem amparo do Ministério da Cultura. Estamos à deriva, com medo e assustadas”, disse.
Santiago foi afastado por 60 dias. A pasta instaurou processo administrativo e acionou a Corregedoria, mas até o momento não ofereceu qualquer tipo de apoio efetivo às vítimas.
Conhecido como “Pablo Peligro”, o servidor também se apresentava como DJ, professor de dança e organizador de eventos culturais em Brasília. Foi um amigo próximo quem descobriu o conteúdo e denunciou o caso à polícia, entregando um pen drive com 14 GB de vídeos.
Na última terça-feira (13), a PF apreendeu em sua casa notebooks, celulares e HDs com mais de mil arquivos íntimos, que estavam organizados por nome e data.
Segundo a Delegacia Especial de Atendimento à Mulher (Deam), Santiago vinha cometendo os crimes desde 2017.
As vítimas permanecem desamparadas pelo Ministério, que limitou-se a medidas burocráticas. A ministra Margareth Menezes, ágil para despejar dinheiro público para seus companheiros do setor “cultural”, até o momento não se pronunciou sobre o escândalo. A esquerda, tão rápida em apontar o dedo contra supostos abusadores em outros casos, mantém silêncio sepulcral. Não se sabe ainda se terão permissão de se manifestar diante do corporativismo estatal petista.
