O relatório da Polícia Federal (PF) sobre as conexões entre Dias Toffoli e o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, detalha telefonemas entre os dois e até mesmo o envio de um convite para uma festa de aniversário do ministro do Supremo. As informações são do jornal O Globo.
O documento também contém conversas de Vorcaro com outras pessoas a respeito de pagamentos relacionados ao resort Tayayá, que pertenceu à família de Toffoli.
Segundo O Globo, “esses são alguns dos muitos itens que recheiam o material, que tem cerca de 200 páginas e tem sido descrito por integrantes do Supremo como ‘nitroglicerina pura'”.
O relatório já está sendo analisado pelo presidente do STF, Edson Fachin, que solicitou explicações a Toffoli e decidirá o encaminhamento da suspeição pedida pela PF contra o ministro, relator das investigações envolvendo o Master no Supremo.
O material da PF enumera achados no celular de Vorcaro que indicariam ser impossível que Toffoli permanecesse à frente da relatoria ou participasse do julgamento do caso pelo plenário.
Segundo a CNN Brasil, as mensagens periciadas mencionam pagamentos a Toffoli. O primo de Vorcaro, Fabiano Zettel, também alvo das investigações da PF, aparece nas conversas fazendo referências a essas transações.
Investigadores relataram ainda à emissora que Toffoli menciona pagamentos de forma cifrada.
A linha de investigação da PF apura se a transferência de recursos ao ministro partiu da empresa que foi sócia de um fundo ligado ao Master no resort Tayayá, frequentado por Toffoli e que pertenceu aos irmãos do ministro.
A Maridt Participações, registrada em nome dos irmãos de Toffoli, possuía, até 2025, pouco mais de 30% do controle do resort. O fundo Arleen, da Reag Investimentos, investiu R$ 20 milhões no empreendimento, enquanto o fundo Leal Investimentos, verdadeiro dono do Arleen, pertence a Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro.
De acordo com a Folha, Toffoli admitiu a interlocutores que é sócio da Maridt “há vários anos”. Ainda segundo o jornal, o nome do ministro não aparece nos documentos públicos da empresa porque se trata de uma sociedade anônima de livro, modelo em que a identidade dos acionistas não é acessível a terceiros.
Por isso apenas o nome dos dois irmãos do ministro do Supremo são públicos, por serem eles os administradores da empresa.
