Paulinho da Força descarta anistia ampla e estuda redução de penas
O deputado Paulinho da Força (Solidariedade-SP), relator do projeto de anistia, recebe nesta quarta-feira (1º) familiares de condenados pelos atos de 8 de janeiro. A reunião está marcada para as 11h, na liderança do partido na Câmara.
Na terça-feira (30), o parlamentar afirmou que trabalha em um texto que reduza as penas, descartando anistia ampla. Segundo ele, líderes partidários avaliam que um perdão total seria derrubado pelo STF em caso de judicialização.
“Todos esses líderes acham que o trabalho de uma anistia ampla, geral e irrestrita vai ser barrada no Supremo. Por isso, eu pretendo continuar achando que a redução de pena é o que vai pacificar o país, na mesma forma que essas pessoas que estão presas vão para as suas casas”, declarou.
Paulinho também pretende ouvir bancadas partidárias e se reunir com o ex-ministro José Dirceu (PT). Ele disse que o relatório deve ser concluído após as conversas e que a votação dependerá de alinhamento com o Senado, sob articulação do presidente da Câmara, Hugo Motta.
Mobilização das famílias
A Associação dos Familiares e Vítimas do 8 de Janeiro (ASFAV), que reúne cerca de 600 famílias, voltou a defender anistia ampla e rejeitou a proposta de dosimetria em discussão no Congresso. A entidade afirma que houve prisões em massa sem individualização, violações ao devido processo legal e condenações sem provas.

Em nota, a ASFAV destacou que “reduzir penas ou oferecer concessões parciais não é justiça. Justiça verdadeira significa reconhecer que houve abusos, ilegalidades e condenações injustas”. Pesquisa interna da associação mostra que 97% defendem anistia irrestrita.
O comunicado também cita brasileiros exilados em países vizinhos, como a Argentina, que só poderiam retornar com anistia. “Essas pessoas também precisam da anistia para poder retornar ao Brasil com dignidade”, afirmam os dirigentes.
