Entidade afirma que reduções de pena não representam justiça verdadeira
A Associação dos Familiares e Vítimas do 8 de Janeiro (ASFAV), que reúne cerca de 600 famílias de presos e processados pelos atos em Brasília, voltou a defender nesta terça-feira (30) a aprovação de uma anistia ampla, geral e irrestrita. A entidade rejeitou o PL da Dosimetria que está em discussão no Congresso Nacional, que prevê apenas redução das penas.
Em comunicado, a ASFAV reiterou as denúncias de prisões em massa sem individualização das condutas, violações ao devido processo legal, cerceamento da advocacia e investigações políticas sem provas concretas. A associação afirma que muitos dos detidos não participaram de atos de vandalismo e que há registros em vídeo comprovando a inocência de diversos cidadãos.
O texto também cita a “Lava Toga”, que revelou a existência de um gabinete paralelo no TSE voltado a perseguir opositores do ministro Alexandre de Moraes. Para a associação, isso representa um ataque ao Estado de Direito.
“Reduzir penas ou oferecer concessões parciais não é justiça. Justiça verdadeira significa reconhecer que houve abusos, ilegalidades e condenações injustas”, afirma a entidade.
Uma pesquisa interna apresentada pela ASFAV mostra que 81% dos associados rejeitam a dosimetria e 97% defendem a anistia irrestrita.
Exilados serão presos se voltarem sem anistia
O comunicado lembra ainda que centenas de brasileiros vivem exilados em países vizinhos, como a Argentina, e só poderiam retornar ao Brasil mediante anistia ou serão presos.
“Essas pessoas também precisam da anistia para poder retornar ao Brasil com dignidade”, disse trecho da nota assinada pela presidente Gabriela Ritter e pelos advogados Ezequiel Silveira e Carolina Siebra.
A entidade assegura que seguirá mobilizada até que, segundo seus dirigentes, “a justiça seja restabelecida, a verdade reconhecida e todos os perseguidos políticos possam novamente viver em liberdade no solo brasileiro”.
Confira aqui a nota na íntegra.
