Proposta enfrenta rejeição da base aliada e divisão interna na Esplanada; Motta tenta manter reforma como prioridade da Câmara
A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da reforma administrativa deve enfrentar resistência na Câmara, especialmente entre deputados do PT e de partidos aliados do governo. A bancada petista, que integra a federação com PCdoB e PV, se reúne nesta terça-feira (7) para discutir a posição oficial sobre o texto. A orientação inicial é que nenhum dos 80 parlamentares da federação subscreva a proposta, que precisa de 171 assinaturas para ser protocolada.
✅ Siga o canal do Claudio Dantas no WhatsAppSegundo integrantes do partido, a PEC não foi debatida de forma suficiente e pode gerar prejuízos às carreiras do funcionalismo público. Deputados petistas também devem se reunir com a ministra da Gestão e Inovação, Esther Dweck, para definir um posicionamento conjunto. O ministério deve divulgar sua avaliação técnica na próxima semana.
A falta de clareza dentro do governo tem dificultado o avanço da proposta. Embora Dweck tenha sinalizado apoio à modernização da máquina pública, não há consenso entre ministérios. No sábado (4), o líder do governo, José Guimarães (PT-CE), publicou mensagem nas redes sociais defendendo a reforma, mas apagou horas depois e recuou.
“Não apoiaremos nenhuma Reforma Administrativa que represente retrocesso para os trabalhadores”, afirmou Guimarães no domingo.
Audiência contrária e críticas internas
Deputadas de esquerda, como Ana Pimentel (PT-MG) e Luciene Cavalcante (Psol-SP), convocaram para 14 de outubro uma audiência pública contrária à reforma. Luciene, que participou do grupo de trabalho da Câmara, afirmou que o texto apresentado “não foi aprovado pelo colegiado”.
A deputada Alice Portugal (PCdoB-BA) reforçou que a proposta é de responsabilidade do relator, Pedro Paulo (PSD-RJ), e “não tem chancela do grupo de trabalho”.
As principais críticas recaem sobre o modelo de avaliação de desempenho previsto na PEC, que vincula progressão funcional ao cumprimento de metas anuais. Deputados alegam subjetividade nos critérios e temem impacto nas carreiras.
Tramitação e pontos centrais
O relator Pedro Paulo apresentou três textos: uma PEC, um projeto de lei complementar (PLP) e um projeto de lei ordinária (PL). O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), pretende iniciar a tramitação ainda nesta semana, com análise inicial na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).
Entre as mudanças propostas estão:
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Avaliação anual de desempenho com impacto em progressões e bônus;
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Limitação de benefícios, como férias acima de 30 dias e licença-prêmio;
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Tabela remuneratória única com piso igual ao salário mínimo e teto constitucional;
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Redução dos cargos comissionados para até 5% da força de trabalho;
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Planejamento estratégico obrigatório para cada mandato;
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Fixação de teto de remuneração para cartórios e idade máxima de 75 anos para titulares.
Resistência e cálculo político
A reforma administrativa é uma das prioridades legislativas de Motta, que defende o texto como medida para “tornar o Estado mais ágil e menos oneroso”. O deputado, porém, reconhece que o tema “não alcançará unanimidade” e exigirá negociação com as bancadas.
O projeto chega ao plenário em meio à disputa de narrativas entre governo e oposição, e sob o desafio de equilibrar o discurso de modernização com a proteção aos servidores estáveis — ponto sensível entre os aliados do Planalto.
