Receita Federal endurece fiscalização sobre fintechs
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Economia

Receita Federal endurece fiscalização sobre fintechs

Receita vai endurecer fiscalização sobre fintechs
Receita vai endurecer fiscalização sobre fintechs

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Por Isac Mascarenhas

A Receita Federal publicou nesta sexta-feira (29) a Instrução Normativa nº 2.278, que iguala o tratamento das fintechs (empresas de tecnologia financeira) ao dos bancos. A medida tem como objetivo “combater os crimes contra a ordem tributária, inclusive aqueles relacionados ao crime organizado, em especial a lavagem ou ocultação de dinheiro e fraudes”.

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A publicação ocorre um dia após a deflagração da Operação Carbono Oculto, liderada pelo Ministério Público de São Paulo e pela Receita Federal, e das operações Quasar e Tank, da Polícia Federal.

As ações visaram desarticular a infiltração do Primeiro Comando da Capital (PCC) na cadeia produtiva do setor de combustíveis e no mercado financeiro — dinheiro ilícito da facção era lavado por fintechs.

De acordo com a Receita, as fintechs “têm sido utilizadas para lavagem de dinheiro” por causa de um “vácuo regulamentar”. Diante disso, “o crime organizado sabe disso e aproveita essa brecha para movimentar, ocultar e lavar seu dinheiro sujo”, afirma.

A Receita citou a publicação de uma outra instrução em janeiro deste ano que aumentava a fiscalização de transações financeiras, inclusive sobre o Pix, mas que foi revogada por conta de “fake news e mentiras” sobre uma falsa tributação.

O orgão reforçou que a nova norma publicada nesta sexta-feira (29) não é a mesma de janeiro, pois “não quer dar margem para uma nova onda de mentiras”.

Na nova instrução, as instituições de pagamento e os participantes de arranjos de pagamentos passam a ter as mesmas obrigações de transparência e de fornecimento de informações que as instituições financeiras. Isso inclui a apresentação da e-Financeira, um sistema de prestação de informações sobre operações financeiras.

Há tempos a Federação Brasileira de Bancos (Febraban) e a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) cobravam do Ministério da Fazenda providências contra essas empresas, que não estavam a supervisão do Banco Central nem da Receita Federal, e têm sido usadas para lavagem de dinheiro do crime organizado e até de bets irregulares.

Em 29 de julho deste ano, a Febraban chegou a enviar um ofício ao Receita  pedindo tratamento isonômico entre as instituições do Sistema Brasileiro de Pagamentos (SBP) na prestação de informações.

Em 4 de julho, a OCDE também havia enviado uma carta ao ministro da Fazenda, Fernando Haddad, relatando que os integrantes do Fórum Global sobre Transparência e Intercâmbio de Informações para Fins Fiscais (Fórum Global) tinham decidido incluir as fintechs no âmbito de “instituição financeira sujeita à declaração de informações”.

A Operação Carbono Oculto foi a maior força-tarefa contra o crime organizado da história do país, mobilizando 1.400 agentes em dez estados. As investigações revelaram que o PCC “sequestrou” o setor de combustíveis, controlando desde a importação até a venda em postos de gasolina, e usava fintechs para a lavagem do dinheiro ilícito.

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