Deputado Ramagem nega tentativa de golpe, e diz que vídeo citado na denúncia é público
O deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ), ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), afirmou nesta segunda-feira (9), em depoimento ao Supremo Tribunal Federal (STF), que não participou de tentativa de golpe de Estado. Segundo ele, suas anotações sobre o sistema eleitoral eram pessoais e baseadas em informações públicas.
Ramagem negou que tenha feito qualquer ataque às urnas eletrônicas. Ele disse que o único vídeo compartilhado, citado na denúncia, reproduz trechos de uma audiência pública no próprio plenário do STF. “Quando é que vai ser crime uma audiência no STF?”, questionou.
O deputado explicou que o vídeo, com mais de dez minutos, foi produzido antes da live presidencial e trata da segurança das urnas eletrônicas. A gravação mostra, segundo ele, o advogado de peritos criminais apontando falhas técnicas já conhecidas e discutidas nos testes públicos realizados desde 2009. O material teria sido enviado ao então presidente Jair Bolsonaro.
“Não é um vídeo que mostra que quer derrubar a urna”, afirmou Ramagem. “É mostrando que a urna tem constante evolução nesse teste de segurança.”
Ele também afirmou que o conteúdo foi extraído literalmente de uma audiência pública no Supremo e que o ministro Gilmar Mendes, na ocasião, reconheceu a legitimidade dos apontamentos técnicos. Ramagem criticou a omissão dessa informação nos autos.
Ao comentar a denúncia, disse que apenas uma mensagem é citada como prova de ataque ao sistema eleitoral, mas que foi tirada de contexto. “O restante são documentos particulares meus, vasculharam tudo. Só essa mensagem foi enviada, e ainda esconderam que era de uma audiência do STF.”
Sobre a atuação da Abin, declarou: “A Abin fez trabalhos verificando o que tinha de conhecimento sobre as urnas, como qualquer jornal fez também”.
Ramagem afirmou que ninguém comprovou fraudes nas eleições e que as anotações mencionadas pela investigação se basearam em dados públicos ou informações levantadas por outros órgãos. Também negou ter compartilhado qualquer conteúdo com o objetivo de atacar o sistema de votação.
