Como a cultura virou estratégia de poder e dominação das facções criminosas no Brasil
Por Amanda Vettorazzo*
Para difundir a cultura do crime e recrutar jovens, organizações criminosas como o Comando Vermelho, do Rio de Janeiro, e o PCC, de São Paulo, estão investindo cada vez mais em “cultura”, principalmente em rappers e funkeiros. Conheça alguns dos narcobabies, herdeiros diretos das facções criminosas:
ORUAM
Mauro é filho de Marcinho VP, um dos líderes do Comando Vermelho, acusado pelo Ministério Público pelos crimes de associação criminosa e lavagem de dinheiro. Fruto de uma visita íntima, Oruam canta, em seus shows, o hino da facção criminosa, exalta “ser filho do dono” e chegou a esconder um criminoso foragido em sua casa. Além disso, tem tatuado o busto de Elias Maluco — torturador e assassino do jornalista Tim Lopes, também integrante da facção.
LUCAS CAMACHO
Lucas é filho do traficante Marcola, líder do PCC, condenado a 342 anos de prisão por formação de quadrilha, roubo, tráfico de drogas e homicídio. Assim como Oruam, Lucas costuma compartilhar publicações sobre o pai e não esconde a admiração que sente por ele. Aliás, Lucas e Oruam chegaram a planejar o lançamento de uma música em parceria, mas, com o fim da trégua entre as facções, precisaram pedir autorização aos próprios pais para seguir com o projeto
MC Poze do Rodo
Apesar de não ser herdeiro de uma liderança do tráfico, Poze do Rodo já atuou como “aviãozinho” do Comando Vermelho. Recentemente, foi preso por apologia ao crime e associação com o tráfico. Durante a prisão, declarou ser integrante da facção, e investigações apontam que seus shows são usados para lavar dinheiro e financiar a compra de armas e drogas. Ao lado de Oruam, canta a música “A Cara do Crime 5”.
Raul Fernandes
Filho do torturador e assassino Elias Maluco, Raul ostenta uma vida de luxo nas redes sociais, com mais de 100 mil seguidores. Vive viajando, exibindo dinheiro e joias — tudo isso enquanto carrega o legado de um dos criminosos mais cruéis do país.
A infiltração cultural do crime está criando raízes profundas. Além dos artistas e influencers que propagam o “narco lifestyle”, organizações criminosas como o PCC e o Comando Vermelho estão financiando casas de shows e produtoras musicais, que contratam apenas artistas com algum tipo de ligação com o crime.
Já o PCC, segundo relatório da Polícia Federal, utiliza produtoras como a Love Funk, GR6 e Formato Funk para lavar dinheiro. Só a Love Funk movimentou R$ 173 milhões entre 2019 e 2022, com apoio direto do líder da facção, Buda.
Através dessas figuras e eventos, que funcionam como porta de entrada para o mundo do crime e consolidam a imagem dos traficantes, o crime oferece uma vida de luxo, dinheiro fácil, glória, ostentação e mulheres — tudo envolto em uma falsa sensação de pertencimento e poder para os jovens. Agora, adotando práticas semelhantes às de grupos terroristas, o crime organizado passou a recrutar pela internet, mirando adolescentes cada vez mais cedo.
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