Quando ainda atuava como advogada, Verônica Sterman, hoje ministra do Superior Tribunal Militar (STM), recebeu R$ 700 mil por serviços prestados a uma empresa ligada a Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”.
A informação foi divulgada pelo portal Metrópoles nesta segunda-feira (12) e consta em um dos Relatórios de Inteligência Financeira (RIFs) elaborados pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) e encaminhados à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
De acordo com os documentos, o pagamento foi feito em uma única parcela entre outubro de 2024 e fevereiro de 2025, ou seja, antes de Sterman tomar posse como ministra do STM, em setembro do ano passado.
Os relatórios indicam que os repasses foram realizados por meio da ACX ITC, empresa de tecnologia e investimentos financeiros de São Paulo, apontada pelas autoridades como parte de um esquema destinado a dificultar o rastreamento de recursos ligados a Antonio Camilo.
Em nota, Verônica Sterman afirmou que os pagamentos se referem a três pareceres jurídicos relacionados a questões criminais, prestando consultoria pontual à empresa:
“A magistrada esclarece que, à época em que exercia a advocacia, foi consultada por essa empresa exclusivamente sobre a possibilidade de elaboração de três pareceres jurídicos, todos relacionados atemas de natureza criminal vinculados às atividades então desenvolvidas pela contratante”, iniciou.
“Após a consulta, foi apresentada proposta de honorários, posteriormente aceita pela empresa. Os pareceres foram regularmente elaborados e entregues dentro dos prazos previamente estipulados, encerrando-se aí a relação profissional”, completou.
A ACX ITC, sediada em São Paulo e registrada com capital de R$ 101,2 milhões, aparece nas investigações como uma das empresas utilizadas para dispersar recursos e dificultar o rastreamento financeiro. A Polícia Federal aponta que pelo menos R$ 4,4 milhões da Arpar Participações, outra empresa vinculada ao empresário, passaram pela ACX ITC como parte de um esquema de movimentação de valores.
Verônica é formada pela PUC-SP, com especialização em Direito Penal Econômico pela FGV e pós-graduação pelo IBCCRIM, em parceria com a Universidade de Coimbra.
Antes de ser escolhida por Lula, atuou como advogada de Gleisi Hoffmann (ministra das Relações Institucionais), Paulo Bernardo (ex-ministro das Comunicações) e Geraldo Alckmin (vice-presidente da República). Com a nomeação, se tornou a segunda mulher a integrar a Corte, fundada em 1808.
