Meses antes de ser preso em Israel com Greta Thunberg por tentar chegar na Faixa de Gaza, Thiago Ávila recebeu seis processos de agricultores pela acusação de calote. A empresa do ativista é suspeita de não realizar o pagamento da produção recebida por trabalhadores ligados ao MST.
Entre 2019 e 2023, o Movimento Bem Viver fez uma parceria com pequenos produtores do assentamento Canaã, próximo a Brasília, comprando sua produção para revenda. Joel Silva Souza, alega que entregava 500 caixas de sua produção semanalmente e que Thiago prometeu repassar R$ 2.300 por mês, mas nunca cumpriu o acordo.
Segundo a Veja, o prejuízo ultrapassa R$ 86 mil e a promessa de carteira assinada também não foi cumprida. Ele, assim como outros agricultores que supostamente sofreram o mesmo golpe, processou Ávila.
O problema para os assentados são as provas. A defesa de Thiago Ávila anexou aos processos um termo de compromisso assinado pelos agricultores em abril de 2023 que proíbe “falar negativamente ou agir para prejudicar o projeto Bem Viver e seus integrantes”. Os agricultores afirmam que foram coagidos a assinar o documento sob ameaça de não receberem pagamentos atrasados.
Thiago Ávila, que é filiado ao PSOL e também influenciador digital, nega as acusações, afirmando que “tudo é falso” e que possui recibos e comprovantes de pagamentos. “Qualquer um pode processar, mas depois tem de provar”, disse, ressaltando que já obteve vitória em primeira instância em algumas ações, mas a defesa dos agricultores recorreu.
O advogado de Ávila recusou-se a detalhar os processos, afirmando se tratar de “intimidade” do cliente.
