Clube alega que não há prova de envolvimento direto de dirigentes nos repasses e que seria vítima das ações de terceiros
O presidente do Corinthians, Augusto Melo, foi indiciado pela Polícia Civil de São Paulo. A investigação aponta que parte da comissão paga pela casa de apostas VaideBet, patrocinadora do clube, teria sido desviada para uma conta bancária vinculada ao Primeiro Comando da Capital (PCC).
Melo foi acusado de associação criminosa, furto qualificado e lavagem de dinheiro. Também foram indiciados o ex-diretor administrativo Marcelo Mariano, o ex-superintendente de marketing Sérgio Moura e o empresário Alex Fernando André, conhecido como “Cassundé”.
Segundo relatório assinado pelo delegado Tiago Fernando Correia, o valor de R$ 870 mil teria sido transferido da VaideBet para a UJ Football Talent Intermediação, empresa citada pelo delator Vinícius Gritzbach, morto em 2024 após colaborar com o Ministério Público sobre esquemas ligados ao PCC.
A investigação identificou que Cassundé esteve na sede do clube, no Parque São Jorge, no dia em que começou a repassar valores a essa empresa. A informação foi confirmada por meio de dados de geolocalização de antenas de telefonia.
A crise levou à abertura de um processo de impeachment contra Augusto Melo. A votação do Conselho Deliberativo do Corinthians está marcada para o próximo domingo, 26 de maio. No dia 20 de janeiro, o conselho já havia aprovado a admissibilidade do processo por 126 votos a 114.
A defesa de Cassundé declarou que ele teve contato direto com a VaideBet e agiu de forma transparente. Afirmou ainda que documentos já anexados ao processo comprovam sua atuação regular e que ele desconhece a participação de outros intermediários.
Em nota, o Corinthians alegou que não há prova de envolvimento direto de dirigentes nos repasses e que o clube é vítima das ações de terceiros. “O clube cumpre rigorosamente todas as suas obrigações legais e contratuais”, diz o comunicado.
