Após uma série de derrotas no Congresso, o governo Lula iniciou articulações para formar uma superfederação partidária pensando nas eleições de 2026. É uma tentativa de fortalecer a base governista no Legislativo, onde o PT enfrenta dificuldades para manter apoio, mesmo após ceder espaços ao Centrão.
A movimentação começou nesta terça-feira (1), quando representantes do Planalto procuraram lideranças de partidos aliados. PCdoB e PV, já federados com o PT, participaram das conversas, assim como PSB e PDT. Apesar da abertura ao diálogo, a proposta não entusiasmou os demais partidos.
No PSB, a resistência é maior. A sigla, que comanda os ministérios da Indústria e do Empreendedorismo, teme perder protagonismo dentro de uma aliança com o PT. O partido já negocia federação com o Cidadania, em fase avançada.
No caso do PDT, o afastamento aumentou após a saída de Carlos Lupi do Ministério da Previdência, no contexto das investigações sobre roubos dos aposentados do INSS. A bancada se distanciou do governo após o episódio.
A iniciativa do Planalto acontece em meio ao desgaste provocado pela tentativa frustrada de aumentar o IOF. Após recuo parcial, o governo viu o Congresso aprovar a derrubada total do reajuste, com apenas 98 votos a seu favor — uma derrota histórica. Como resposta, o Executivo acionou o STF, o que pode gerar nova crise entre os Poderes.
Dentro do PT, a criação da superfederação tem apoio de lideranças que aguardam a eleição interna do partido. A expectativa é que Edinho Silva, ex-prefeito de Araraquara, assuma a presidência e conduza as negociações.
As federações partidárias são registradas no TSE e obrigam os partidos a atuarem de forma unificada por quatro anos. A soma dos votos fortalece a disputa proporcional, mas pode dificultar alianças majoritárias, exigindo consenso interno para lançamentos de candidaturas a cargos como prefeito, governador e senador.
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