O diretor-executivo da Polícia Federal, William Murad, afirmou que a operação de hoje (16), que resultou na prisão do ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa, teve como foco suspeitas de corrupção na gestão do banco público.
Segundo Murad, a investigação apura um esquema de lavagem de dinheiro para pagamento de vantagens indevidas a agentes públicos, no contexto de operações bilionárias entre o BRB e o Banco Master.
“Fase de hoje é uma decorrência direta da primeira fase. Na fase de hoje o foco foi do lado do BRB, não ainda no detalhamento das fraudes do banco em sim, mas na corrupção dos gestores do banco nessa operação de compra e venda”, afirmou.
O diretor da PF falou à imprensa na sede do Ministério da Justiça e disse que parte das investigações segue sob sigilo. Questionado sobre eventual acordo de delação premiada com o banqueiro Daniel Vorcaro, afirmou:
“Com relação a delação premiado, cabe a pessoa que ache que tenha como colaborar que se apresente , que mostre os fatos. Nesse momento não temos nada neste sentido”
O ministro da Justiça, Wellington Lima, afirmou que a operação integra um conjunto de ações do governo no combate ao crime organizado.
“Aproveitamos o ensejo para dizer que esse evento dessa operação é apenas uma das ações que se inscreverá no rol de outras iniciativas que o governo deve adotar nos próximos dias no combate ao crime organizado”, disse.
Ao ser questionado sobre possível uso político da operação, o ministro afirmou que a divulgação ocorreu por “dever de informar”.
“Dever de informar. A Secretaria de Comunicação Social (Secom) nos procurou dizendo que muitas pessoas estavam pedindo informações “, declarou.
A operação foi autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, e também teve como alvo o advogado Daniel Monteiro, ligado ao banqueiro Daniel Vorcaro.
Segundo a Polícia Federal, os investigados são suspeitos de participação em um “esquema de lavagem de dinheiro para o pagamento de vantagens indevidas que teriam sido destinadas a agentes públicos”.
A apuração aponta indícios de crimes financeiros, corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa. Investigadores identificaram imóveis que teriam sido usados como forma de pagamento de propina, avaliados em mais de R$ 140 milhões.
A defesa de Paulo Henrique Costa afirmou que a prisão é “desnecessária”.
