BRB fez 21 cobranças ao Master por dívida bilionária em negociação
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Economia

BRB fez 21 cobranças ao Master por dívida bilionária em negociação

Documentos revelam disputa de R$ 1,6 bilhão em meio a operações de crédito

BRB
Foto: Joédson Alves/Agência Brasil

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Por Redação

O Banco de Brasília (BRB) enviou ao menos 21 cobranças por e-mail ao Banco Master entre julho e agosto de 2025, em meio a uma dívida que ultrapassou R$ 1,6 bilhão, segundo documentos internos obtidos pelo portal Metrópoles. As mensagens foram trocadas enquanto as instituições ainda aguardavam a decisão do Banco Central do Brasil sobre a tentativa de aquisição do Master pelo BRB.

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As cobranças indicam que o BRB buscava reaver valores ligados a carteiras de crédito adquiridas anteriormente, em meio a impasses sobre a qualidade dos ativos e a falta de repasses financeiros por parte do Banco Master. Os primeiros sinais de problemas teriam surgido em fevereiro de 2025, quando o banco público identificou possíveis inconsistências em parte das carteiras negociadas, classificadas internamente como de alta inadimplência.

Na sequência, o BRB estruturou um grupo de trabalho para avaliar os contratos e apontou um rombo inicial de aproximadamente R$ 1,3 bilhão em repasses pendentes até março. Além disso, surgiram dúvidas sobre a documentação e a garantia dos créditos, já que não havia comprovação suficiente de lastro em parte das operações.

Em abril, as instituições chegaram a renegociar parte dos valores, com a quitação parcial da dívida, reduzida para cerca de R$ 65 milhões. Ainda naquele mês, foi firmado um novo acordo de pagamentos parcelados, com parcelas de R$ 15 milhões. No entanto, segundo os registros, os compromissos não foram cumpridos integralmente.

Em uma das primeiras comunicações formais, o saldo em atraso já somava R$ 456 milhões, além de juros e multa contratual. Representantes do Banco Master chegaram a responder que parte dos valores seria quitada ainda em julho, mas as cobranças continuaram sem solução efetiva.

Com o avanço da inadimplência, o BRB passou a questionar também a ausência de um relatório de auditoria independente prometido pelo Banco Master para atestar a qualidade das carteiras cedidas. O pedido foi reiterado diversas vezes sem resposta conclusiva, segundo os documentos.

Em meio às negociações, o Master ainda incluiu na composição da dívida valores relacionados a contratos de clientes falecidos antes da cessão dos ativos ao BRB, o que ampliou o volume contestado.

Somente após a 20ª cobrança formal, em agosto, houve nova manifestação do Banco Master, com promessa de pagamento parcial. Poucos dias depois, o montante total já ultrapassava R$ 1,6 bilhão.

Apesar do impasse, o BRB seguiu avaliando novas aquisições de carteiras do banco privado. Em 21 de agosto de 2025, uma área executiva do banco público chegou a recomendar a compra adicional de cerca de R$ 750 milhões em créditos do Master, mesmo diante de alertas internos.

Entre os riscos apontados por técnicos estavam a alta inadimplência estimada, a falta de comprovação documental de parte dos contratos e o impacto potencial sobre os índices de liquidez e capital da instituição. Um dos relatórios internos também alertava que a operação poderia ser interpretada pelo regulador como exposição excessiva ao Banco Master, com necessidade de provisões adicionais.

Dias depois, o Banco Central rejeitou a operação de aquisição do Banco Master pelo BRB, decisão comunicada oficialmente em setembro de 2025, encerrando a tentativa de compra. Após isso, o banco estatal deixou de adquirir novas carteiras de varejo da instituição privada, mantendo apenas renegociações pontuais de ativos já adquiridos.

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