PF cita Gusttavo Lima em investigação sobre lavagem de dinheiro do PCC - Claudio Dantas
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Política

PF cita Gusttavo Lima em investigação sobre lavagem de dinheiro do PCC

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Por Redação

A Polícia Federal citou o cantor Gusttavo Lima em uma investigação sobre lavagem de dinheiro ligada ao Primeiro Comando da Capital (PCC). No relatório da Operação Mafiusi, que apura uma rede de transações financeiras suspeitas, aparecem ainda o pastor Valdemiro Santiago, da Igreja Mundial do Poder de Deus, e o bicheiro Adilson Oliveira Coutinho Filho, o Adilsinho.

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A operação é um desdobramento das investigações que identificaram conexão do PCC com a máfia italiana no tráfico internacional de drogas. Agora, os federais miram o esquema de lavagem de dinheiro que financiaria a facção. A apuração foi alimentada pela delação de Marco José de Oliveira, um dos operadores do grupo criminoso.

Nos documentos da PF, obtidos pelo Estadão, o nome de Gusttavo Lima surge em meio a um complexo sistema de transações milionárias envolvendo empresas que, segundo os investigadores, compõem um “sistema financeiro paralelo” do crime organizado. A Polícia Federal não indiciou o cantor, mas ele deve ser chamado a depor. Lima é cotado para ser vice na chapa de Ronaldo Caiado (União Brasil), que lançará pré-candidatura à Presidência em abril.

Procurado, Gusttavo Lima negou qualquer irregularidade. Ele afirmou que a única transação com a empresa investigada foi a compra legal de uma aeronave. Valdemiro Santiago e Adilsinho não se pronunciaram.

O principal operador das contas, segundo a PF, é o empresário Willian Barile Agati, apelidado de “concierge do PCC”. Ele é acusado de montar e gerenciar a estrutura financeira da facção criminosa. Está preso desde janeiro. O advogado dele, Eduardo Maurício, afirma que Agati é “inocente” e “um empresário idôneo e de bons antecedentes”.

A Operação Mafiusi corre na 13ª Vara Criminal Federal de Curitiba, a mesma que foi palco da Lava Jato. Assim como na operação que desmantelou o esquema de corrupção da Petrobras, o ponto de partida das apurações foi a delação premiada de um operador do sistema.

Em relatório recente, o delegado Eduardo Verza, do Grupo Especial de Investigações Sensíveis da PF do Paraná, descreve uma organização criminosa que atua no Brasil e no exterior, ocultando a origem ilícita dos recursos por meio de “estratificação de empresas de fachada e pessoas físicas”. Segundo Verza, empresas e indivíduos “emprestam” contas bancárias ao PCC e lucram com isso.

As empresas atribuídas a Agati pela PF estão espalhadas por várias cidades. Atuariam em setores que vão desde o comércio de roupas até serviços administrativos. A investigação aponta duas empresas como as principais no esquema: a Starway Locação de Veículos e a Starway Multimarcas, que movimentaram R$ 454,3 milhões de 2020 a 2023. Ambas funcionam em São Caetano do Sul (SP). Para a PF, são empresas de fachada.

Foi analisando as contas da Starway que os federais chegaram à empresária Maribel Golin, representante da Aeroplan Aviação Ltda. e de outras quatro empresas. A PF sustenta que as transações de Maribel e suas empresas entre 2020 e 2022 somaram R$ 1,4 bilhão. O delegado Verza afirmou que “as fontes de receita declaradas representam apenas 3,44% do valor total movimentado”.

Nessa investigação, surgiram os nomes de Gusttavo Lima, Valdemiro Santiago e Adilsinho. A Balada Eventos, que gerencia a carreira do cantor, aparece como responsável por repasses de R$ 57,5 milhões para a JBT Empreendimentos, da família Golin, em junho de 2022. A PF estranhou o fluxo financeiro e apontou a ausência de documentos fiscais que justifiquem a operação. “Fica evidente que o fluxo financeiro observado não condiz com o padrão usual de transações envolvendo pagamentos de cachês ou atividades similares”, diz o relatório.

A delação de Marco José de Oliveira também menciona que um parente de Maribel “esquenta” dinheiro dentro da igreja de Valdemiro Santiago. Segundo o delator, Agati teria assumido a posse de aviões do pastor, que “devia muito ao Fisco”. O delegado citou que as transações chegam a R$ 24,6 milhões.

No final da lista das 35 maiores transações ligadas a Maribel estão a Adiloc Comercial Distribuidora e o sócio Adilsinho, que transferiram R$ 9 milhões às empresas dela. A Adiloc tem como atividade principal “serviços combinados de escritório e apoio administrativo”, mas opera com nome fantasia de distribuidora de cigarros.

A Balada Eventos informou que adquiriu uma aeronave da JBT Empreendimentos, controlada pela família Golin, em junho de 2022. Disse que a operação foi “legal”, com contrato formal registrado na Anac. “Essa foi a única negociação realizada entre a Balada Eventos e a empresa JBT”, afirmou a nota.

A empresa declarou ainda que desconhece Willian Agati e que “tal informação deve ser requisitada junto à família Golin”. Sobre o fato de sete empresas funcionarem no mesmo endereço, alegou que se trata de um prédio comercial, “com cada empresa ocupando uma sala”.

O advogado de Maribel, Carlos Alberto Pires, negou qualquer relação pessoal dela com Agati. Disse que a relação foi “apenas comercial” e que a Justiça de Curitiba “já reconheceu a licitude dos negócios com Agati”. Afirmou ainda que todas as movimentações de Maribel são “lícitas”. Valdemiro Santiago e Adilsinho não se manifestaram.

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