Investigação aponta contato com Braga Netto e acesso à defesa de Mario Fernandes
No relatório de indiciamento apresentado ao Supremo, a Polícia Federal acusa o ex-ministro Walter Braga Netto de violar a proibição de manter contato com o ex-presidente Jair Bolsonaro. Segundo a PF, Braga Netto teria enviado um SMS a Bolsonaro.
O contato ocorreu em fevereiro de 2024, um dia após os dois terem sido alvo de operação da PF e proibidos por Alexandre de Moraes de se comunicarem. “Estou com este número pré-pago para qualquer emergência. Não tem zap. Somente FaceTime. Abs Braga Netto”.
Segundo a PF, a mensagem indica quebra da medida cautelar imposta aos dois investigados.
“Os elementos probatórios corroboram, portanto, a hipótese de que os réus Jair Bolsonaro e Walter Souza Braga Netto descumpriram as medidas cautelares de proibição de manter contato durante a investigação.”
O documento também observa que a mensagem se insere em um padrão de condutas identificadas pela investigação, em que outros alvos da operação também teriam procurado formas alternativas de comunicação. O relatório acrescenta que foram anexadas informações técnicas e financeiras que reforçam o vínculo entre a linha telefônica utilizada e Braga Netto.
PUNHAL VERDE E AMARELO
A PF também encontrou no celular de Bolsonaro dois documentos relacionados à defesa do general Mario Fernandes, apontado como autor do chamado “plano Punhal Verde e Amarelo”. Uma análise dos metadados dos documentos sugerem que o ex-presidente teve acesso antecipado aos documentos.
“Tendo em vista a notória semelhança entre o conteúdo do arquivo encontrado no aparelho celular do ex-Presidente com aquele protocolado nos autos da PET 13.236/DF pela defesa do réu MARIO FERNANDES, demonstra-se novamente que JAIR MESSIAS BOLSONARO teve acesso prévio a conteúdo relacionado à defesa do General MARIO FERNANDES, especificamente no dia 30.12.2024, um dia antes do protocolo pela defesa no STF: 31.12.2024. Conforme exposto, a submissão prévia de documentos contendo teses de defesa do réu MARIO FERNANDES, ao ex-presidente da República JAIR BOLSONARO revela a continuidade, mesmo após as medidas cautelares determinadas pelo juízo, da estrutura hierárquica e do vínculo subjetivo entre os investigados.”
