Paulo Sérgio nega pressão para alterar relatório da Defesa sobre urnas - Claudio Dantas
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Justiça

Paulo Sérgio nega pressão para alterar relatório da Defesa sobre urnas

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Por Mariana Albuquerque

Jornalista e pós-graduada em Direito Legislativo.

Ex-ministro da Defesa pediu desculpas por críticas ao TSE e negou ter recebido minuta do Estado de Sítio

O ex-ministro da Defesa Paulo Sérgio Nogueira pediu desculpas públicas ao ministro Alexandre de Moraes nesta terça-feira (10), durante interrogatório no Supremo Tribunal Federal (STF), no inquérito que apura uma fantasiosa tentativa de golpe de Estado. O general da reserva, que comandou a Defesa durante parte do governo Bolsonaro, reconheceu “palavras mal colocadas” em críticas feitas ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) durante a campanha de 2022.

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Em reunião ministerial de julho daquele ano, Nogueira havia dito que a Defesa estava na “linha de contato com o inimigo” ao participar da comissão de transparência eleitoral do TSE. No depoimento, recuou: “Inicialmente, presidente, eu queria me desculpar publicamente por ter feito essas colocações naquele dia”.

O ex-ministro afirmou que a atuação da pasta no processo eleitoral buscava contribuir com a transparência e elogiou a gestão de Moraes à frente da Corte eleitoral. “A ascensão de vossa excelência no TSE melhorou a nossa vida, como a implementação do teste de integridade das urnas”, disse.

Nogueira também negou ter recebido ou produzido qualquer ‘minuta golpista’ e afastou a possibilidade de qualquer movimentação para alterar o relatório das Forças Armadas sobre o sistema eleitoral. “Já adianto, o presidente da República jamais me pressionou”, declarou. “Era tudo às claras. Se eu tivesse que alterar um relatório desses, quantas pessoas eu teria que ludibriar?”

Segundo ele, o documento entregue ao TSE em 2022 apenas apontava que não era possível afirmar que o sistema eletrônico era “100% confiável”. “O que está na nota está no relatório. Eu não tive vontade de contrariar o TSE.”

Sobre o episódio envolvendo Walter Delgatti Neto, preso na Operação Tempus Veritatis, Nogueira afirmou que nunca soube que se tratava de um hacker. “Me falaram que estavam mandando um técnico. Não me falaram nada sobre um hacker.” Segundo ele, Delgatti permaneceu menos de 15 minutos no Ministério da Defesa. “Esse senhor teve o descaramento de dizer que foi recebido cinco, seis vezes. Eu dei o recado para o coronel Câmara: ‘Não faça mais isso, camarada, que compromete o trabalho. Não é por aí’.”

O general relatou também que os dias seguintes ao resultado da eleição foram de clima pesado no Planalto. “Os 15 primeiros dias do presidente foram quase um velório.” Disse ainda que “nunca conheceu pessoalmente” Filipe Martins e que sua atuação no governo foi técnica. “Ser cadente é cultuar a verdade, a probidade e a responsabilidade”, resumiu.

Paulo Sérgio foi um dos últimos interrogados pelo STF no processo, ao lado do general Walter Braga Netto. Mais cedo, prestaram depoimento Jair Bolsonaro, o ex-comandante da Marinha almirante Almir Garnier, o ex-ministro da Justiça Anderson Torres e o general Augusto Heleno.

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