Deputados e senadores receberam R$ 100,5 milhões em reembolsos médicos entre 2019 e 2025, mesmo com planos de saúde que cobrem hospitais como Sírio-Libanês, Albert Einstein e Rede D’Or.
Levantamento obtido via Lei de Acesso à Informação pelo UOL revela que, na Câmara, o valor chegou a R$ 39,7 milhões, beneficiando 584 deputados. O teto por nota é de R$ 135,4 mil, mas não há limite para a quantidade de pedidos. No Senado, os gastos somaram R$ 60,8 milhões.
A falta de transparência é recorrente. A Câmara não informa detalhes sobre os procedimentos nem onde foram realizados. O Senado também não divulga os nomes dos parlamentares que usaram o benefício.
Entre os que mais receberam estão:
- Tereza Nelma (PSD-AL) – R$ 2 milhões
- Damião Feliciano (União-PB) – R$ 1,7 milhão
- Família de José Carlos Schiavinato (PP-PR) – R$ 1,6 milhão
- Celio Moura (PT-TO) – R$ 875,9 mil
- João Campos de Araújo (Republicanos-GO) – R$ 767 mil
- Nilson Pinto (PSDB-PA) – R$ 735 mil
- Elcione Barbalho (MDB-PA) – R$ 698 mil
Em 2019, Jair Bolsonaro foi reembolsado em R$ 435,3 mil por tratamentos relacionados à facada sofrida em 2018. “Todas as minhas despesas foram decorrentes dessa facada. De 1991 até 2018, pelo que me lembro, nunca usei o serviço de saúde da Câmara”, afirmou o ex-presidente.
Em março de 2021, o então presidente da Câmara Arthur Lira (PP-AL) aumentou o teto por nota de R$ 50 mil para R$ 135,4 mil, alegando “inflação médica”. No mesmo período, o IPCA acumulado foi de 32%, enquanto o reajuste autorizado foi de 170%.
No Senado, o plano de saúde tem cobertura vitalícia para senadores, ex-senadores e cônjuges. Os reembolsos são limitados a 20 vezes o valor de referência da tabela, mas não há limite de solicitações. O Senado também autoriza tratamento no exterior e remoção via UTI aérea.
Em 2021, o Partido Novo acionou o TCU pedindo mais transparência nos reembolsos da Câmara. Em abril de 2024, os ministros decidiram não abrir processo, deixando a fiscalização a cargo da própria Casa.
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