A primeira-dama Rosângela Lula da Silva, a Janja, afirmou nesta segunda-feira (13) que o apelido de “gastadeira”, utilizado por críticos nas redes sociais, é um exemplo de “misoginia pura”. A declaração foi feita durante entrevista concedida aos jornalistas Daniela Lima e Fernando Canzian, em parceria entre o UOL e a Folha.
Ao comentar as críticas relacionadas às viagens oficiais, Janja afirmou que utiliza classe executiva por orientação dos protocolos de segurança adotados para sua proteção e negou que a escolha seja motivada por preferência pessoal.
“Não viajo na econômica porque tem alguns regramentos que eu tenho que seguir.”
Segundo a primeira-dama, sua segurança é coordenada pela Polícia Federal, responsável por definir as condições de deslocamento durante compromissos oficiais.
Hospedagem e rotina de trabalho
Janja também afirmou que, em viagens internacionais, procura se hospedar em embaixadas brasileiras por razões de segurança e logística.
Durante a entrevista, disse que exerce atividades diárias ligadas ao Palácio do Planalto, participa de reuniões, cumpre agendas oficiais e realiza viagens institucionais.
Segundo ela, a atuação da primeira-dama gera estranhamento porque, na sua avaliação, esse tipo de participação não era comum em administrações anteriores.
“A sociedade brasileira nunca teve uma primeira-dama que trabalhasse efetivamente.”
Projeto sobre misoginia
Ao abordar ataques recebidos nas redes sociais, Janja voltou a defender a aprovação do projeto de lei que tipifica o crime de misoginia.
Ela afirmou que a proposta está em tramitação na Câmara dos Deputados e manifestou expectativa de que o texto avance.
“Vamos ver realmente quem defende a vida das mulheres nesse país.”
TCU arquivou processos sobre viagens
As declarações ocorrem meses após o Tribunal de Contas da União (TCU) arquivar, por unanimidade, quatro representações que questionavam despesas da primeira-dama em viagens internacionais realizadas desde 2023.
As ações, apresentadas por parlamentares da oposição, contestavam o uso de aeronaves da Força Aérea Brasileira (FAB), passagens em classe executiva e a participação de Janja em agendas oficiais no exterior antes da chegada do presidente Lula.
No julgamento, o relator, ministro Bruno Dantas, concluiu que não foram identificados indícios de desvio de finalidade na utilização de servidores ou recursos públicos. A decisão também considerou o Decreto nº 12.604/2025, que regulamentou o apoio do Gabinete Pessoal da Presidência às atividades desempenhadas pela primeira-dama.
O entendimento seguiu decisões anteriores do próprio TCU, que já haviam arquivado representações sobre despesas relacionadas às viagens internacionais de Janja, incluindo sua participação na comitiva brasileira durante os Jogos Olímpicos de Paris, em 2024.