Alive: Gilson Marques questiona "para onde vai o recurso da isenção do IR?"
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Política

Alive: Gilson Marques questiona “para onde vai o recurso da isenção do IR?”

Alive: Jornalista Cláudio Dantas conversa com convidados sobre a aprovação da isenção do IR
Alive: Jornalista Cláudio Dantas conversa com convidados sobre a aprovação da isenção do IR

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Por Redação

Deputado diz que oposição foi calada no embate que cravou unanimidade a favor da isenção do IR

Em entrevista ao programa ALive desta quinta-feira (2), o deputado federal Gilson Marques (Novo-SC) criticou a aprovação da isenção do Imposto de Renda na Câmara dos Deputados. A proposta foi aprovada por unanimidade, com 493 votos a favor e nenhum contra.

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“O governo tenta vender a ideia de que vai tirar de quem tem mais para dar a quem tem menos, mas considera a proposta enganosa”, diz Gilson Marques

O parlamentar afirmou ainda que a oposição foi silenciada durante o processo. Segundo ele, mais de 90 destaques foram apresentados, mas quase todos foram rejeitados pelo relator Arthur Lira (PP-AL). Marques disse ainda que entregou um relatório com mais de 50 assinaturas de deputados contrários ao texto, mas que o documento não foi considerado.

“Ainda que você cobre impostos de quem ganha mais, grande parte desse público são empresários. E um empresário obviamente coloca o valor do tributo no custo dos seus produtos e serviços. É muito óbvio que o valor do arroz e do feijão no supermercado vai aumentar”, afirmou.

O deputado destacou que o impacto recairá sobre toda a população: “O custo é da sociedade. De uma forma ou de outra, ele é repartido, é diluído entre todos”.

Marques também criticou a destinação dos recursos arrecadados: “Em nenhum momento o projeto disse que esses recursos serão usados para os mais pobres, ou destinados à saúde, à segurança ou à educação. O que acontece é uma transferência de renda da sociedade para os políticos, para o sistema estatal, para o governo gastar sem transparência”.

Críticas ao processo e à anistia

O parlamentar ainda apontou incoerências na condução do processo e mencionou o debate sobre a anistia:

“A oposição deveria, sim, pedir a alteração do relator, pedir que outra pessoa fosse o relator e que colocasse a anistia ampla, geral e irrestrita. Faz sentido alguém que fez arruaça levar 17 anos de cadeia com pena maior do que a de um estuprador? Isso é óbvio, mas hoje não é esse o relator”.

Análises dos convidados

O analista financeiro JH Fonseca avaliou que a aprovação representa submissão ao populismo e também criticou comparações feitas pelos defensores da medida

“A gente aceita qualquer coisa. Queremos dar isenção de cinco mil reais, mas não é bom para o país que isso seja à custa de mais tributação. Vamos cortar privilégios, privatizar estatais deficitárias, fazer outras coisas. O Brasil hoje é refém do populismo, nós perdemos o debate. O debate está sendo vencido culturalmente pela esquerda”.

O jornalista e apresentador Claudio Dantas reforçou que a medida serviu de estratégia para a aprovação da tributação sobre dividendos.

“Esse projeto foi usado como Cavalo de Troia. Arthur Lira deu uma rasteira na oposição, Hugo Motta deu uma rasteira na oposição. A questão agora é saber o custo disso, além das compensações e emendas. Deve ter sido negociado com o governo milhões em emendas que justificam um 493 a 0, mesmo com a oposição dizendo-se contra”.

Dantas também criticou o governo: “Quem tem que compensar o brasileiro é esse governo gastador, populista, ditatorial, que está cobrando a conta dos empresários já sufocados por uma carga tributária de 44%. Vai ter fuga de investimento, as pessoas vão embora desse país”.

O analista econômico Ary Alcântara também condenou a reforma do IR.

“Não vejo o menor sentido de terem votado essa reforma. Tudo o que foi colocado tinha que ser rejeitado, porque é um absurdo do ponto de vista tributário. Esse governo só tem um objetivo: tributar contra a atividade econômica. Eles querem destruir a atividade econômica, isso é fundamento deles”.

Ele alertou para os riscos do aumento da carga tributária: “Nós estamos matando o país. Em dois anos o Brasil estará completamente quebrado”.

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