A deputada federal Carol De Toni (PL-SC) protocolou nesta quarta-feira (18) requerimento para que o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli, preste esclarecimentos sobre o caso Banco Master na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara.
O pedido tem como base o artigo 58, §2º, inciso V, da Constituição, que autoriza comissões do Congresso a convocar autoridades para prestar informações quando houver interesse público relevante.
É a primeira iniciativa formal na Câmara para ouvir o ministro sobre o caso. No Senado, há requerimentos em análise na CPI do Crime Organizado para discutir a presença de Toffoli.
“O que estamos vendo não são dúvidas pequenas ou questões técnicas isoladas. Estamos falando de decisões que levantam suspeitas graves, possível conflito de interesses e concentração de poderes nas mãos de quem deveria garantir a imparcialidade. O Parlamento não pode fechar os olhos. Se há algo errado, precisa ser esclarecido diante do povo brasileiro”, afirmou a deputada.
O caso ganhou novos desdobramentos após a Polícia Federal analisar aparelhos eletrônicos do empresário Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master. Segundo a PF, o ministro relator é citado em registros de conversas com o banqueiro.
As menções levaram a corporação a comunicar o presidente do STF, ministro Edson Fachin, sobre a possibilidade de suspeição de Toffoli. A suspeição é instrumento jurídico utilizado para questionar a imparcialidade de magistrado diante de indícios de vínculo ou interesse no processo.
O diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, declarou que o Supremo saberá analisar se deve afastar ou não o ministro da relatoria. “Se encontrarmos pessoas de grande estatura política, social e econômica, vamos em frente”, afirmou.
Fachin intimou Toffoli a se manifestar sobre eventual conflito de interesses. Em nota, a defesa do ministro classificou o pedido de suspeição como “ilações” e questionou a legitimidade da PF para formular a solicitação, sustentando que a instituição não é parte no processo.
A condução do inquérito por Toffoli gerou questionamentos internos. Em dezembro de 2025, o ministro avocou o caso ao STF, centralizou as investigações e determinou que o material apreendido na Operação Compliance Zero fosse lacrado e mantido sob custódia da Corte.
Posteriormente, autorizou a continuidade das análises, mas manteve a relatoria concentrada no Supremo. Também houve controvérsia sobre a indicação nominal de peritos da PF e sobre orientações relacionadas a depoimentos colhidos no âmbito do inquérito.
Paralelamente, vieram a público informações sobre negócios envolvendo familiares do ministro. A empresa Maridt, ligada a irmãos de Toffoli, foi sócia de empreendimento que realizou transações com fundos vinculados ao Banco Master. A PF apura transferências financeiras relacionadas à empresa.
Diante do avanço das investigações e das suspeitas levantadas, a oposição busca levar o ministro à CCJ para prestar esclarecimentos formais.
