Oposição pede que Toffoli explique caso Master na Câmara
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Justiça

Oposição pede que Toffoli explique caso Master na Câmara

Requerimento quer ouvir ministro do STF na CCJ sobre decisões e suspeitas envolvendo o Banco Master

Ministro Dias Toffoli presidindo a sessão da 2ª Turma do STF
Crédito para a foto: Rosinei Coutinho/SCO/STF

Compartilhe em

Foto do autor

Por Mariana Albuquerque

Jornalista e pós-graduada em Direito Legislativo.

A deputada federal Carol De Toni (PL-SC) protocolou nesta quarta-feira (18) requerimento para que o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli, preste esclarecimentos sobre o caso Banco Master na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara.

✅ Siga o canal do Claudio Dantas no WhatsApp

O pedido tem como base o artigo 58, §2º, inciso V, da Constituição, que autoriza comissões do Congresso a convocar autoridades para prestar informações quando houver interesse público relevante.

É a primeira iniciativa formal na Câmara para ouvir o ministro sobre o caso. No Senado, há requerimentos em análise na CPI do Crime Organizado para discutir a presença de Toffoli.

“O que estamos vendo não são dúvidas pequenas ou questões técnicas isoladas. Estamos falando de decisões que levantam suspeitas graves, possível conflito de interesses e concentração de poderes nas mãos de quem deveria garantir a imparcialidade. O Parlamento não pode fechar os olhos. Se há algo errado, precisa ser esclarecido diante do povo brasileiro”, afirmou a deputada.

O caso ganhou novos desdobramentos após a Polícia Federal analisar aparelhos eletrônicos do empresário Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master. Segundo a PF, o ministro relator é citado em registros de conversas com o banqueiro.

As menções levaram a corporação a comunicar o presidente do STF, ministro Edson Fachin, sobre a possibilidade de suspeição de Toffoli. A suspeição é instrumento jurídico utilizado para questionar a imparcialidade de magistrado diante de indícios de vínculo ou interesse no processo.

O diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, declarou que o Supremo saberá analisar se deve afastar ou não o ministro da relatoria. “Se encontrarmos pessoas de grande estatura política, social e econômica, vamos em frente”, afirmou.

Fachin intimou Toffoli a se manifestar sobre eventual conflito de interesses. Em nota, a defesa do ministro classificou o pedido de suspeição como “ilações” e questionou a legitimidade da PF para formular a solicitação, sustentando que a instituição não é parte no processo.

A condução do inquérito por Toffoli gerou questionamentos internos. Em dezembro de 2025, o ministro avocou o caso ao STF, centralizou as investigações e determinou que o material apreendido na Operação Compliance Zero fosse lacrado e mantido sob custódia da Corte.

Posteriormente, autorizou a continuidade das análises, mas manteve a relatoria concentrada no Supremo. Também houve controvérsia sobre a indicação nominal de peritos da PF e sobre orientações relacionadas a depoimentos colhidos no âmbito do inquérito.

Paralelamente, vieram a público informações sobre negócios envolvendo familiares do ministro. A empresa Maridt, ligada a irmãos de Toffoli, foi sócia de empreendimento que realizou transações com fundos vinculados ao Banco Master. A PF apura transferências financeiras relacionadas à empresa.

Diante do avanço das investigações e das suspeitas levantadas, a oposição busca levar o ministro à CCJ para prestar esclarecimentos formais.

Escreva seu e-mail para receber bastidores e notícias exclusivas

Não fazemos spam! Leia nossa política de privacidade para mais informações.

Publicidade