As eleições legislativas realizadas na Venezuela no domingo (25) foram marcadas por forte boicote da oposição a ditadura do esquerdita Nicolás Maduro. Enquanto o Conselho Nacional Eleitoral (CNE) afirma que 42,63% dos eleitores participaram do pleito, opositores do regime alegam que mais de 85% da população se absteve.
Las calles vacías son la demostración de que Venezuela entera no se presta a la farsa del régimen.
¡Este 25M, NO! #YoNoObedezco | #YoYaVotéEl28J pic.twitter.com/uY3Fbgk9z9
— Comando ConVzla (@ConVzlaComando) May 25, 2025
A líder opositora María Corina Machado, que incentivou o boicote, firmou nas redes sociais: “Hoje, os venezuelanos voltaram a derrotar o regime criminal”. Em sua avaliação, a baixa participação expressa a rejeição popular ao governo chavista.
Segundo o Comando conVzla, plataforma ligada à oposição, a taxa real de participação teria sido de apenas 12,56%. Imagens divulgadas por jornais e políticos contrários ao regime mostraram seções eleitorais vazias e ruas desertas no dia da votação.
Analistas políticos ouvidos pela imprensa local afirmam que, como na eleição presidencial de 2024, os resultados do CNE são pouco transparentes e dificilmente auditáveis. Especialistas citam a desconfiança generalizada no sistema eleitoral e a ausência de garantias democráticas como razões para a alta abstenção.
Apesar disso, o CNE declarou vitória ampla da aliança chavista PSUV-Gran Polo Patriótico, com 82,68% dos votos (4,5 milhões). A oposição que participou do pleito somou pequenas porcentagens: Aliança Democrática (6,25%), Aliança UNT-Única (5,18%) e Fuerza Vecinal (2,57%).
No total, o órgão afirma que mais de 5 milhões de eleitores compareceram às urnas. O presidente do CNE, Elvis Amoroso, classificou o resultado como prova da “ampla participação” do povo venezuelano.
Além da escolha dos 285 deputados da nova Assembleia Nacional (mandato 2026–2031), o pleito incluiu a eleição de 24 governadores e assembleias estaduais, inclusive no território de Essequibo, região rica em petróleo reivindicada pela Venezuela.
Essa foi a primeira eleição desde a reeleição de Maduro em julho de 2024, alvo de denúncias de fraude por parte da oposição, organismos internacionais e governos estrangeiros. O regime chavista ainda não publicou os dados completos daquela votação.
Na mesma semana da eleição legislativa, o governo anunciou a prisão de 38 pessoas – entre elas 17 estrangeiros – acusadas de planejar um suposto golpe de Estado. Maduro também culpou ex-presidentes colombianos pela articulação e suspendeu voos oriundos da Colômbia.
