O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios deflagrou, na manhã desta quarta-feira (4), a Operação Janus para apurar a suposta utilização de dinheiro do Primeiro Comando da Capital (PCC) no financiamento e na coordenação de manifestações realizadas em Brasília.
Foram cumpridos cinco mandados de busca e apreensão — quatro no estado de São Paulo e um no Distrito Federal. A ofensiva contou com apoio do Gaeco do Ministério Público do Estado de São Paulo e do Departamento de Combate à Corrupção e ao Crime Organizado da Polícia Civil do Distrito Federal.
Segundo os investigadores, os atos eram divulgados como mobilizações de “reivindicação social”, mas teriam sido bancados com recursos provenientes de atividades ilícitas da facção. A suspeita é de que as manifestações funcionassem como instrumento para ampliar a influência do grupo, conquistar apoio e mascarar a circulação de valores ligados ao crime organizado.
As apurações indicam que o financiamento dos protestos fazia parte de uma estratégia para fortalecer o braço financeiro do PCC e dissimular operações de lavagem de dinheiro. O foco da investigação é desarticular mecanismos usados para sustentar e expandir a atuação da organização em diferentes unidades da federação.
Em nota, a Polícia Civil do Distrito Federal afirmou que acompanha eventos de repercussão nacional com reflexos na capital e reforçou que a atuação de facções criminosas será enfrentada pelas autoridades locais.
De acordo com a corporação, os crimes investigados podem resultar em pena de três a dez anos de reclusão, além de multa, com possibilidade de aumento caso fique comprovado o vínculo com organização criminosa armada.
A operação segue sob sigilo, e os materiais apreendidos serão analisados para aprofundar as investigações.