Deputado acusa Itamaraty de discurso político sobre PCC e CV
Brasília, Segunda, 06 de julho de 2026
Política

Deputado acusa Itamaraty de priorizar discurso político em resposta sobre PCC e CV

Parlamentar afirma que o Ministério das Relações Exteriores não esclareceu quais medidas o governo adotou após os EUA classificarem as facções como organizações terroristas

Dep. Evair Vieira de Melo (REPUBLICANOS - ES)
Bruno Spada/Câmara dos Deputados

Compartilhe em

Foto do autor

Por Redação

O deputado federal Evair de Melo (Republicanos-ES) criticou a resposta encaminhada pelo Ministério das Relações Exteriores à Câmara dos Deputados sobre a classificação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas pelos Estados Unidos.

✅ Siga o canal do Claudio Dantas no WhatsApp

Segundo o parlamentar, o Itamaraty deixou de responder aos principais questionamentos apresentados no requerimento e deu um caráter político ao tema.

Autor do pedido de informações, Evair afirmou que buscava esclarecimentos sobre a atuação do governo brasileiro após a decisão de Washington, mas recebeu uma manifestação voltada, principalmente, aos possíveis impactos da medida sobre a soberania nacional.

“O Parlamento não pediu um posicionamento político; pediu informações objetivas sobre a estratégia do governo”, afirmou o deputado.

No documento enviado à Comissão de Relações Exteriores da Câmara, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, sustenta que a classificação das facções pelos Estados Unidos não traz benefícios concretos para o combate ao crime organizado e pode abrir espaço para medidas unilaterais por parte do governo americano.

Entre os pontos destacados pelo chanceler está a possibilidade de aplicação da legislação antiterrorismo dos Estados Unidos contra cidadãos, empresas e organizações brasileiras, além da hipótese de uso da força militar em território nacional.

“Tal aplicação pode ocorrer com amplo grau de discricionariedade, dada a amplitude dos termos adotados na legislação de contraterrorismo daquele país, com sérias possibilidades de implicações para cidadãos brasileiros nos planos financeiro, migratório e penal. Finalmente, há a possibilidade do uso da força militar dos Estados Unidos em território brasileiro”, escreveu Vieira.

Para Evair, entretanto, a resposta não detalha quais providências diplomáticas foram adotadas pelo governo nem apresenta um plano para enfrentar os possíveis impactos da decisão americana.

O parlamentar também questionou a ausência de informações sobre a articulação entre o Itamaraty, a Casa Civil e o Ministério da Justiça e Segurança Pública, além de cobrar esclarecimentos sobre os estudos técnicos que embasaram a posição do governo.

“Se admite a existência desses riscos, deveria igualmente apresentar, com absoluta transparência, qual é o plano do Estado brasileiro para mitigá-los e defender os interesses nacionais”, declarou.

Segundo o deputado, o próprio documento reconhece possíveis consequências econômicas, jurídicas e institucionais da medida, mas não informa como o Executivo pretende proteger os interesses brasileiros.

Evair também contestou a avaliação apresentada pelo Ministério das Relações Exteriores sobre uma eventual intervenção americana no país.

“A classificação das facções não autoriza, por si só, qualquer intervenção militar em território brasileiro”, afirmou.

Escreva seu e-mail para receber bastidores e notícias exclusivas

Não fazemos spam! Leia nossa política de privacidade para mais informações.

Publicidade