Ex-ministro afirma que desconhece empresário alvo de operação da PF e nega poder sobre acordos do INSS
O ex-ministro do Trabalho e da Previdência do governo Jair Bolsonaro, Onyx Lorenzoni, afirmou nesta quinta-feira (6), durante depoimento à CPI do INSS, que não conhece o empresário Felipe Macedo Gomes, investigado pela comissão e doador de R$ 60 mil para sua campanha ao governo do Rio Grande do Sul em 2022.
“Não conheço esse cidadão, não sei quem é e nunca pediria dinheiro para bandido”, disse Onyx, ao responder ao relator, deputado Alfredo Gaspar (União-AL).
O ex-ministro afirmou que todas as contribuições foram avaliadas por seu contador e que devolverá qualquer valor identificado como irregular. “Tive 115 doadores e não conheço mais de 30 ou 35% deles. Nunca vi esse cidadão”, declarou.
Onyx ressaltou que ministros da Previdência não têm poder para autorizar acordos com entidades associativas. “Nenhum ministro da Previdência tem o poder discricionário de dizer que tal associação vai receber ou não. Isso não cabe ao ministro, a lei é clara”, afirmou. Ele explicou que os pedidos de parceria são tratados diretamente pelas diretorias do INSS, sem passar pelo gabinete ministerial.
O ex-ministro defendeu sua trajetória pública, destacando 28 anos de vida parlamentar e a ausência de processos por corrupção. “Fui eleito sete vezes, executei mais de R$ 440 bilhões no Ministério da Cidadania e não há apontamentos do TCU. Tenho uma história limpa”, disse.
Onyx criticou o que chamou de “relação maliciosa de causa e efeito” feita por investigações sobre convênios liberados no fim de sua gestão.
A doação de Felipe Macedo Gomes, dirigente da Amar Brasil, consta na prestação de contas da campanha de Onyx e é alvo de apuração da CPI. Macedo teve prisão preventiva aprovada pela comissão e será alvo de pedido ao Supremo Tribunal Federal. Ele é investigado pela Operação Sem Desconto, da Polícia Federal, por suspeita de envolvimento em esquema de descontos irregulares em benefícios de aposentados e pensionistas.
Questionado sobre adesões em massa a entidades conveniadas, Onyx reiterou que o INSS é uma autarquia autônoma. “Não era da competência direta do ministro, e sim da administração do INSS”, afirmou.
