Onyx nega influência em contrato do filho com entidade
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Política

Onyx nega influência em contrato do filho com entidade suspeita de roubo do INSS

Onyx nega influência em contrato do filho com entidade suspeita de roubo do INSS

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Por Mariana Albuquerque

Jornalista e pós-graduada em Direito Legislativo.

Filho de ex-ministro advogou para Unibap, investigada por roubos a aposentados

O ex-ministro do Trabalho e Previdência Onyx Lorenzoni (PP-RS) foi questionado nesta quinta-feira (6) na CPMI do INSS sobre a atuação de seu filho, o advogado Pietro Lorenzoni, para a União Brasileira de Aposentados da Previdência (Unibap) — uma das entidades investigadas por fraudes em descontos de mensalidades sobre aposentadorias.

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Durante o depoimento, o relator Alfredo Gaspar (Republicanos-AL) mostrou uma reportagem do Metrópoles que apurou a possível proximidade de Onyx com representantes da Unibap e questionou se o filho havia conseguido o contrato por influência política.

“Advogou para aquela entidade que eu acabei de falar. Pergunta que eu quero fazer. Ele virou advogado porque o senhor era o então ministro da Previdência? E como é que ele parou como advogado desta entidade Unibap? Então como Ministro da Previdência houve tráfico de influência através dessa proximidade do senhor com o advogado da Unibap?”, perguntou Gaspar, exibindo a imagem aos presentes.

Lorenzoni negou qualquer interferência e defendeu a qualificação profissional do filho.

“Claro que não. Esse jovem advogado tem 31 anos, ele já é especialista em Direito Constitucional, mestrado, doutorado, concluído o pós-doutorado. Ele tem, ele tinha uma sociedade com escritório em Porto Alegre e outra aqui. (…) Foi contratado o escritório, não especificamente o meu filho”, respondeu o ex-ministro.

Onyx também destacou que não participa das atividades profissionais dos filhos, dizendo que cada um segue carreira própria.

“Objetivamente não, porque nós não tratamos dos nossos universos profissionais. Meus filhos, nenhum deles se mete nas minhas ações políticas ou empresariais”, afirmou.

O relator insistiu sobre o possível conflito de interesses, lembrando que o contrato da Unibap com o escritório de Pietro foi firmado em abril de 2021, quando Onyx chefiava a Secretaria-Geral da Presidência de Jair Bolsonaro e estava prestes a assumir o Ministério da Previdência.

A Unibap, com sede em Águas Claras (DF), é investigada por descontos irregulares em aposentadorias. A entidade faturou cerca de R$ 180 milhões em cobranças consideradas indevidas e já foi alvo da Controladoria-Geral da União (CGU), da Polícia Federal e de decisões judiciais contrárias em diversos estados.

Segundo Pietro Lorenzoni, seu escritório prestava serviços administrativos, como redação de atas e ofícios. Ele afirmou ter sido convidado para o trabalho por uma ex-professora universitária e negou envolvimento com irregularidades.

A CPMI do INSS, criada para investigar o esquema de descontos indevidos em benefícios previdenciários, já ouviu os ex-ministros José Carlos Oliveira e Carlos Lupi. O colegiado deve convocar todos os ex-titulares da pasta desde 2015.

Onyx foi chamado também por ter recebido R$ 60 mil de um ex-presidente da Amar Brasil Clube de Benefícios (ABCB), outra associação investigada pela PF.

Durante a sessão, o ex-ministro reforçou sua confiança na conduta do filho e criticou a tentativa de associar sua gestão ao esquema:

“Eu desafio aqui qualquer pai que tenha filho médico ou advogado a ir ver o fichário do filho. Meu filho é apaixonado pelo Direito, autor de dois livros. Nós temos uma tradição de família de fazer as coisas direito”, disse.

A investigação sobre a Unibap faz parte da Operação Sem Desconto, deflagrada pela PF em abril, que apura associações suspeitas de captar dados do INSS e promover cobranças fraudulentas em benefícios de aposentados e pensionistas.

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