Relator cobrou explicações sobre encontros com representantes de associações envolvidas roubos
O relator da CPMI do INSS, deputado Alfredo Gaspar (União-AL), exibiu nesta quinta-feira (6) uma foto do ex-ministro Onyx Lorenzoni com representantes da Associação Nacional dos Médicos Peritos (ANMP) durante a transição do governo Jair Bolsonaro, em dezembro de 2018. A imagem foi usada para questionar o ex-ministro sobre possíveis denúncias de irregularidades em descontos associativos e sobre sua relação com entidades apontadas como beneficiárias do esquema.
Na foto, aparecem Onyx, o senador Izalci Lucas (PSDB-DF), o então presidente da ANMP, Francisco Cardoso, o ex-vice-presidente Luiz Argolo e o diretor sindical Samuel Abranques. Gaspar afirmou que a reunião registrada fez parte das tratativas entre a equipe de transição e os peritos do INSS e cobrou do ex-ministro informações sobre o conteúdo das conversas e documentos entregues naquele momento.

“Segundo a reportagem, na transição de governo o senhor esteve com esse rapaz que coordenava o estado à frente da transição. A pergunta que eu ia fazer e vou reafirmar é: quais foram as denúncias que o senhor tomou conhecimento nesse momento?”, questionou Gaspar.
Onyx respondeu que recebeu diversos relatórios e documentos durante a transição, mas disse não se lembrar dos detalhes de cada um. “Todos os documentos que eu recebi foram para os grupos temáticos. Nós tínhamos mais de 25 ou 26 grupos temáticos”, afirmou. O ex-ministro disse acreditar que o tema dos descontos associativos foi tratado tecnicamente pelo grupo da Previdência e destacou que o governo Bolsonaro foi o primeiro a editar uma medida provisória para coibir esse tipo de cobrança.
Gaspar também citou a entidade Amar Brasil, acusada de desviar recursos de aposentados, e mencionou o depósito de R$ 60 mil feito pelo ex-presidente da associação, Felipe Macedo Gomes, na conta de campanha de Onyx ao governo do Rio Grande do Sul em 2022. “Esse investigado participou de uma verdadeira trama criminosa. Ele depositou 60 mil reais na sua conta de campanha. Esse valor foi vantagem indevida pelo exercício do cargo de ministro da Previdência?”, perguntou o relator.
Onyx negou qualquer envolvimento. “Eu tenho uma vida pública de 28 anos. Eu nunca tive nenhum processo envolvendo ele público”, respondeu.
Durante o depoimento, Gaspar também citou nomes ligados ao “Careca do INSS”, Antônio Carlos Camilo Antunes — preso por envolvimento nas fraudes —, como Paulo Bodes, Gustavo Gaspar e Daniela Fontelli, apontando supostas ligações políticas e financeiras entre eles. “Tentei trazer aqui Paulo Bodes, foi blindado. Tentei trazer aqui Gustavo Gaspar, foi blindado. Tentei trazer aqui Daniela Fontelli, foi blindado”, afirmou.
As fraudes no INSS vieram à tona no governo Lula após investigações da Controladoria-Geral da União (CGU) e da Polícia Federal (PF), que levaram à demissão do ministro da Previdência, Carlos Lupi. Parlamentares da oposição, no entanto, afirmam que o esquema prosperou na atual gestão e que as tentativas de atribuir responsabilidade a governos anteriores buscam encobrir falhas e omissões do governo petista.
