ONG vê prisão de Vorcaro como alerta sobre infiltração criminosa no Estado
Brasília, Sábado, 20 de junho de 2026
Justiça

ONG vê prisão de Vorcaro como alerta sobre infiltração criminosa no Estado

Transparência Internacional afirma que caso expõe atuação de redes criminosas em estruturas públicas

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Foto: Reprodução

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Por Mariana Albuquerque

Jornalista e pós-graduada em Direito Legislativo.

A organização Transparência Internacional Brasil afirmou nesta quinta-feira (5) que a prisão do banqueiro Daniel Vorcaro, investigado no caso do Banco Master, representa um alerta sobre a infiltração de organizações criminosas em estruturas do Estado.

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A detenção ocorreu durante a terceira fase da Operação Compliance Zero, conduzida pela Polícia Federal, que investiga um esquema bilionário de fraudes financeiras.

Em nota pública, a entidade afirmou que o caso revela como lideranças de grupos criminosos podem atuar dentro de instituições públicas.

“A prisão de Vorcaro e a exposição de seus métodos milicianos reforçam um alerta urgente ao Brasil: lideranças de organizações criminosas violentas infiltraram-se nas mais altas esferas do Estado, operando negócios obscuros até mesmo dentro do Palácio do Planalto, do Congresso Nacional e do Supremo Tribunal Federal.”

Segundo a organização, o crime organizado não atua apenas com violência territorial, mas também por meio de influência política e financeira.

“O crime organizado domina territórios pelo poder bélico, mas captura o Estado pelo poder financeiro e pela corrupção.”

A entidade também apontou mecanismos utilizados para aproximar interesses privados de agentes públicos.

“O aliciamento de autoridades ocorre por meio de contratos superfaturados e sem lastro, convites e favores luxuosos, financiamento ilícito de campanhas e outras formas, mais ou menos explícitas, de suborno e influência indevida.”

Estrutura investigada pela Polícia Federal

A terceira fase da Operação Compliance Zero apontou a existência de uma estrutura organizada em diferentes núcleos ligados ao grupo investigado.

Segundo a Polícia Federal, o grupo teria utilizado uma rede conhecida como “A Turma”, responsável por monitorar alvos, coletar informações e realizar ações de intimidação contra pessoas consideradas adversárias do empresário.

As investigações também mencionam acesso indevido a sistemas restritos de órgãos públicos, incluindo bases da Polícia Federal, do Ministério Público Federal e de sistemas internacionais.

Críticas ao enfraquecimento de mecanismos anticorrupção

A Transparência Internacional afirmou ainda que o avanço do crime organizado estaria relacionado ao enfraquecimento de mecanismos institucionais de combate à corrupção.

Segundo a entidade, mudanças em normas e estruturas de controle contribuíram para ampliar a atuação de redes criminosas no país.

“O Brasil precisa observar atentamente o que ocorreu em países como México, Guatemala e Equador, onde a corrupção sistêmica triunfou e o crime organizado se instalou como poder constituído.”

A organização também afirmou que há lideranças comprometidas com o combate à corrupção em diferentes setores do país e defendeu reação institucional para enfrentar o avanço dessas práticas.

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