A Polícia Federal (PF) encontrou no celular de Daniel Vorcaro mensagens em que o banqueiro classifica como “ótima” uma reunião, que aconteceu fora da agenda oficial, com Lula (PT), ministros e Gabriel Galípolo no Palácio do Planalto.
As mensagens foram trocadas pelo dono do Banco Master com a namorada, Martha Graeff, em 4 de dezembro de 2024.
Pela manhã, Graeff desejou boa sorte ao banqueiro. Pouco antes das 14h, Vorcaro respondeu que o encontro havia terminado. “Acabou agora. Foi ótimo”, escreveu. “Muito forte. Ele chamou o presidente do Banco Central que vai entrar e três ministros”.
Participaram do encontro: Lula, Vorcaro, o ministro da Casa Civil, Rui Costa, Galípolo, então recém-indicado ao cargo de presidente do Banco Central (BC), e o ex-ministro da Fazenda Guido Mantega, articulador do encontro. Segundo o site UOL, o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, também participou.
Apesar de ter sido realizada no Planalto e contar com ministros, a reunião não foi registrada na agenda oficial da Presidência.
Na madrugada anterior ao encontro, Vorcaro disse à namorada que o presidente do BC havia mencionado a casa do casal no exterior. “Acredita que o presidente do Bacen já falou da nossa casa?”, escreveu, referindo-se a um imóvel em Miami. “Como ele sabe? Falou pra quem? Isso te prejudica?”, perguntou Martha. “Não. Zero”, respondeu Vorcaro. “Agora virou irrelevante”.
Não se sabe se o “presidente do Bacen” citado pelo banqueiro é Galípolo, que ainda assumiria o BC, ou o então titular, Roberto Campos Neto.
Naquele período, Vorcaro negociava a compra de uma mansão em Miami por US$ 85,2 milhões (cerca de R$ 460 milhões). Atualmente, o imóvel está na mira da PF para eventual ressarcimento de credores do Master.
Durante o encontro no Planalto, segundo relatos, Vorcaro reclamou da suposta concentração do sistema bancário e da atuação de grandes bancos, que, segundo ele, estariam tentando prejudicá-lo. Lula teria respondido que o tema não era de competência direta do governo e que caberia ao BC apurar eventual perseguição.
Meses depois, já sob a presidência de Galípolo, o BC rejeitou a venda do Master ao Banco de Brasília (BRB) e, tempo depois, decretou a liquidação da instituição, apontando fraude estimada em R$ 12 bilhões.
Em entrevista ao UOL, Lula afirmou ter dito a Vorcaro que “não haverá posição política pró ou contra o Banco Master” e que o caso seria alvo de uma “investigação técnica” conduzida pelo BC.
Registros também indicam que o dono do Master esteve no Planalto ao menos quatro vezes entre 2023 e 2024.

