Vorcaro tinha quatro núcleos e jagunços para coerção
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Justiça

Vorcaro tinha quatro núcleos e jagunços para coerção

Relatório citado por Mendonça descreve estrutura com fraude financeira, cooptação no BC, lavagem de dinheiro e núcleo de intimidação.

Defesa de Daniel Vorcaro pede adiamento de depoimento à CPMI do INSS após convocação do presidente da comissão.
Foto: Divulgação/Lide

Compartilhe em

Foto do autor

Por Mariana Albuquerque

Jornalista e pós-graduada em Direito Legislativo.

Relatório da Polícia Federal (PF) enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF) aponta que o banqueiro Daniel Vorcaro tinha quatro núcleos no esquema de fraudes financeiras bilionárias envolvendo o Banco Master, do qual ele é dono.

✅ Siga o canal do Claudio Dantas no WhatsApp

O documento é citado pelo ministro do STF André Mendonça na decisão que autorizou a prisão preventiva de Vorcaro na manhã desta quarta-feira (4).

Segundo o relatório da PF, o esquema operava com divisão de tarefas em quatro áreas.

O núcleo financeiro seria responsável pela estruturação das fraudes contra o sistema financeiro. De acordo com a decisão, Vorcaro participou da estratégia de captação de recursos da instituição e da destinação desses valores para estruturas financeiras ligadas ao próprio grupo.

“Os elementos reunidos nas investigações indicam que o investigado participou da estruturação de modelo de captação de recursos mediante emissão de títulos bancários com remuneração significativamente superior à média de mercado, direcionando os valores obtidos para investimentos em ativos de maior risco e baixa liquidez.”

O núcleo de corrupção institucional atuaria na cooptação de servidores públicos do Banco Central. As investigações indicam contato frequente entre o banqueiro e funcionários responsáveis pela supervisão bancária.

“As investigações também apontam que DANIEL BUENO VORCARO manteve interlocução direta e frequente com servidores do Banco Central do Brasil responsáveis pela supervisão bancária.”

Em um dos trechos citados na decisão, o ministro registra que um dos servidores investigados passou a atuar informalmente em favor do empresário.

“PAULO SÉRGIO torna-se uma espécie de empregado/consultor de VORCARO para assuntos de interesse exclusivamente privado.”

O núcleo de ocultação patrimonial e lavagem de dinheiro seria responsável por movimentar e esconder recursos por meio de empresas interpostas.

Segundo a decisão, diversas companhias foram usadas para estruturar operações e justificar transferências financeiras.

“Diversas empresas foram utilizadas como instrumento para a prática de crimes financeiros e lavagem de dinheiro.”

O documento também aponta a formalização de contratos simulados para dar aparência legal aos pagamentos.

“Essas pessoas jurídicas foram destinadas à prática dos mais variados ilícitos, sendo utilizadas para formalizar contratos fictícios de consultoria destinados a justificar pagamentos ilícitos.”

Já o núcleo de intimidação e obstrução de justiça seria responsável pelo monitoramento ilegal de adversários, jornalistas e autoridades.

Segundo a decisão, integrantes desse núcleo atuavam na coleta de dados e no acompanhamento de pessoas consideradas sensíveis aos interesses do grupo.

“O investigado atuava como responsável pela execução de atividades voltadas à obtenção de informações sigilosas, monitoramento de pessoas e neutralização de situações consideradas sensíveis aos interesses do grupo investigado.”

As investigações também apontam que houve acesso a bases restritas de órgãos públicos.

“Foram identificadas consultas e extrações de dados em sistemas restritos de órgãos públicos, incluindo bases utilizadas por instituições de segurança pública.”

De acordo com a decisão, os acessos incluiriam sistemas utilizados por autoridades brasileiras e organismos internacionais.

“O investigado teria obtido acesso indevido aos sistemas da própria Polícia Federal, do Ministério Público Federal e até mesmo de organismos internacionais, tais como FBI e Interpol.”

A Polícia Federal também identificou uma estrutura de vigilância e coerção privada chamada “A Turma”.

Segundo o relatório, o grupo teria como função obter ilegalmente informações sigilosas e intimidar críticos do Banco Master.

Escreva seu e-mail para receber bastidores e notícias exclusivas

Não fazemos spam! Leia nossa política de privacidade para mais informações.

Publicidade