OAB e cúmplices do regime precisam de um spa offline e de tocar na grama - Claudio Dantas
Brasília, Sábado, 27 de junho de 2026
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OAB e cúmplices do regime precisam de um spa offline e de tocar na grama

Moraes olhando para celular (imagem gerada por IA)
Moraes olhando para celular (imagem gerada por IA)

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Por Eli Vieira

Jornalista e Biólogo

Nossa era da informação é maravilhosa. Hoje, por exemplo, o ChatGPT começou a oferecer o “modo agente”, em que ele “pensa e age para completar tarefas para você usando o próprio computador dele”, diz a OpenAI.

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Mas o ciclo da dopamina da barra de rolagem, especialmente nas redes sociais, vicia muitos, que passam a sofrer do problema de serem extremamente online.

Foi nisso que pensei ao ver que a conta oficial do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) no Instagram segue uma conta chamada “Bolsonarismo deveria ser crime”.

Claro, o problema maior não é excesso de tempo online, mas um “serviço público independente” (entendimento do STF) prestar-se a uma demonstração óbvia de partidarismo e autoritarismo contra um movimento político.

Como a OAB não é uma organização privada e a filiação é obrigatória para exercer a advocacia no Brasil, isso deveria ser um escândalo.

Mas não subestimemos como os olhos grudados nas telas estão influenciando a política nacional. O projeto de censura a coisas vagas como “discurso de ódio” e “desinformação” faz parte disso: os agentes políticos viciados em redes sociais acham que elas são o mundo, então, se são confrontados com expressões das quais não gostam, pensam que só a censura pode deixar o mundo limpo e belo.

O que isso tem a ver com a OAB? Muita coisa. O presidente da entidade, Beto Simonetti, tem sido notoriamente tímido em reclamar dos abusos de Alexandre de Moraes, o censor-geral da República.

Além disso, o Conselho Federal da OAB acionou Moraes “para censurar advogados ilegalmente, fora do devido processo”, como colocou o deputado Marcel Van Hattem (Novo-RS) em abril de 2024. Ele estava falando das ordens do ministro contra a Ordem dos Advogados Conservadores do Brasil (OACB), que teve suas atividades jurídicas e perfis em redes sociais suspensos a pedido da OAB, que alega uso indevido de sua imagem.

Perseguir advogados conservadores e seguir um perfil que pede pela criminalização de um movimento conservador no Brasil. Parece que a OAB é quem anda ferindo a própria imagem.

Touch grass, please

Uma resposta comum em língua inglesa a quem passa tempo demais conectado é touch grass: toque na grama. O conselho é sair de casa, ver o sol, respirar ar puro, parar de brigar nas redes sociais.

É um conselho que sigo quase à risca, saindo para caminhar no parque quando exagero na dose dos bytes.

Os administradores da conta da OAB no Instagram estão precisando disso. Também está a conta do próprio Supremo Tribunal Federal no X, que repostou a entrevista de um especialista à BBC alegando que enfrentar “ameaças” e “intimidação” de Trump tem mais “chances de sucesso”.

Outro que precisa tocar na grama é Moraes. Ele deletou seu perfil no Twitter, única rede social da qual participava e que ele baniu no país inteiro por 40 dias no ano passado. Mas os indícios de que Moraes é excessivamente online estão salpicados em suas decisões.

Em agosto de 2024, por exemplo, Moraes tentou intimar Elon Musk por meio de um tweet na conta do STF, procedimento sem base legal nenhuma. O procedimento correto seria por carta rogatória, algo que Moraes “esquece” também ao emitir ordens de censura contra cidadãos americanos e residentes nos Estados Unidos que postem na plataforma de vídeos Rumble.

Talvez a última vez em que Moraes tenha pegado em alguma planta foi quando fez um teatrinho político derrubando pés de maconha em 2016, quando era ministro da Justiça de Michel Temer. Precisa tocar na grama e tomar suco de maracujá.

Crime organizado e guerras religiosas

Enquanto OAB, STF e Moraes ficam obcecados com conteúdo online, as facções criminosas Comando Vermelho e o Primeiro Comando da Capital deitam e rolam no mundo offline. Em abril, por exemplo, o jornal O Globo noticiou que elas fizeram uma aliança e respeitam mutuamente sua expansão para o comércio de combustíveis (PCC) e serviços de internet (CV).

Se alguém acha que a profana parceria STF-Lula está dedicando tanto tempo a combater o crime organizado quanto a censurar as redes sociais, não está prestando atenção.

Quanto ao projeto da censura, repito, a obsessão com banir perfis e eliminar “desinformação” também é sintoma de conexão excessiva entre redes neurais orgânicas e as de silício.

A liberdade de expressão é uma ideia que surgiu durante embates sangrentos e guerras religiosas na Europa. Os europeus foram lentamente se cansando de se matar por discordâncias teológicas, até que reinados pioneiros na Transilvânia, Polônia e Lituânia criaram a tolerância religiosa: liberdade de crença e liberdade de expressar crença. Começou em 1557, quando a rainha Izabella Jagiellon da Transilvânia prometeu “proteger todas as igrejas”.

Coloque-se no lugar dos europeus do século XVI: suas discordâncias não eram a respeito de urnas eletrônicas serem ou não confiáveis, nem sobre a “honorabilidade” de juízes (temas que atraíram a fúria censória de Moraes). As discordâncias daquela época diziam respeito a coisas muito mais sérias: a natureza do Universo e as intenções do ser onipotente que o teria criado.

Os europeus demoraram, mas se entenderam, dando-se uns aos outros o direito de pensar o que quisessem sobre a Trindade e a Imaculada Conceição. Deve ser porque tocavam na grama e saíam ao sol.

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