“O Estado sempre vai roubar o cidadão” - Claudio Dantas
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Economia

“O Estado sempre vai roubar o cidadão”

Cientista política critica previdência pública após operação da PF no Amapá

Júlia Lucy diz que não confia no Estado para gerir previdência pública após operação da PF na Amapá Previdência envolvendo o Banco Master

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Por Mariana Albuquerque

Jornalista e pós-graduada em Direito Legislativo.

Durante o programa Alive, apresentado por Cláudio Dantas no YouTube, nesta sexta-feira (6), a cientista política Júlia Lucy afirmou que não confia na gestão estatal de fundos previdenciários e criticou a obrigatoriedade de servidores públicos depositarem recursos em regimes controlados por governos.

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A declaração ocorreu no contexto da operação da Polícia Federal contra integrantes da cúpula da Amprev, que apura suspeitas de irregularidades em investimentos feitos com recursos destinados à aposentadoria de servidores do Amapá.

Lucy disse que casos envolvendo fundos previdenciários não se restringem a um espectro ideológico e atingem gestões de diferentes campos políticos. Segundo ela, escândalos semelhantes ocorreram em estados governados pela esquerda e pela direita. Citou como exemplo o Rio de Janeiro e afirmou que a discussão ultrapassa a divisão ideológica tradicional.

Ao comentar a CPMI do INSS, Lucy afirmou que o regimento do Congresso prevê a instalação automática da comissão após a leitura dos requerimentos, o que ocorre durante sessões convocadas para análise de vetos. Disse que, apesar da regra, há tentativas de contornar o procedimento. Segundo ela, resta observar “como vão bolar isso”, ao destacar que o texto regimental é claro.

No debate sobre previdência, Lucy relatou decisão pessoal após as eleições de 2022. Disse que retirou recursos de um plano previdenciário e transferiu o dinheiro para fora do país. Avaliou que a previdência, em geral, remunera menos do que outras formas de investimento e afirmou que o risco aumenta quando os recursos ficam sob gestão do governo.

A cientista política mencionou situações envolvendo servidores do Amapá, do Rio de Janeiro e da Bahia, além de casos anteriores, como nos Correios. Disse lamentar que servidores públicos sejam obrigados por lei a contribuir com fundos cuja gestão, segundo ela, não inspira confiança.

Lucy afirmou que a indicação de dirigentes de fundos previdenciários é política e questionou a qualificação técnica dos nomeados. Citou o caso da Amapá Previdência e disse que o presidente da instituição foi indicado pelo senador Davi Alcolumbre. Também mencionou o RioPrevidência e criticou a ausência de critérios técnicos claros.

Ela citou ainda a gestão dos Correios, afirmando que o ex-presidente da estatal era ligado ao grupo Prerrogativas e foi indicado durante o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ao final de sua fala, declarou que o cidadão não deve confiar no Estado para gerir recursos financeiros e recomendou que as pessoas busquem alternativas de investimento.

“Porque o Estado sempre vai roubar o cidadão”, afirmou.

Na sequência, o analista político Ary Alcântara apresentou dados sobre o sistema previdenciário. Disse que a previdência privada no Brasil soma cerca de R$ 3 trilhões em ativos e que aproximadamente 30% da dívida pública é financiada por esses fundos. Avaliou que fundos fechados de previdência privada, com exceções pontuais, são bem geridos e citou como exemplo a previdência dos funcionários do Banco do Brasil.

Alcântara diferenciou os fundos fechados privados dos regimes próprios de previdência administrados por estados e municípios. Disse que, nesses casos, a governança é distinta e que a capacidade de intervenção do governo federal é limitada. Afirmou ainda que regras recentes em discussão não lhe agradam, mas evitou detalhar críticas.

O apresentador Cláudio Dantas afirmou que a operação da PF no Amapá reforça a percepção de que não há interesse em avançar sobre determinados nomes políticos. Disse que requerimentos relevantes foram adiados na CPMI do INSS sob o argumento de falta de consenso e que votações foram empurradas para a semana seguinte. Segundo ele, há sinais de resistência para aprofundar investigações relacionadas ao Banco Master.

A operação da PF apura a aplicação de cerca de R$ 400 milhões da Amprev em letras financeiras do Banco Master em 2024, valor equivalente a 4,7% do patrimônio líquido do fundo. Foram cumpridos mandados de busca e apreensão em Macapá, inclusive na sede da previdência estadual.

Entre os alvos estão o presidente da Amprev, Jocildo Silva Lemos, e dois conselheiros do comitê de investimentos. Jocildo foi indicado ao cargo pelo senador Davi Alcolumbre, que não é investigado. Em 2024, o próprio dirigente afirmou publicamente que sua nomeação ocorreu por indicação do parlamentar.

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