Correios acumulam R$ 3,7 bi em atrasos a fornecedores e à Previdência
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Economia

Correios acumulam R$ 3,7 bi em atrasos a fornecedores e à Previdência

Estatal adotou política de postergação de pagamentos para tentar conter crise de caixa

Tesouro- Os Correios registraram prejuízo acumulado de R$ 6 bilhões até setembro de 2025, quase três vezes maior do que o rombo de R$ 2,1 bilhões verificado no mesmo período do ano passado.
Foto: Reprodução

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Por Redação

Os Correios deixaram de pagar R$ 3,7 bilhões em obrigações com fornecedores, com o fundo de pensão Postalis, com o plano de saúde Postal Saúde e em tributos federais. Os dados constam em documento interno de análise da situação financeira da estatal obtidos pela Globo.

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A empresa enfrenta sucessivas crises econômico-financeiras nos últimos anos. Em junho, foi criado um Comitê Executivo de Contingência, vinculado à presidência, para lidar com o desequilíbrio nas contas.

Entre as medidas adotadas, está uma política de postergação de pagamentos, com atrasos propositais no cumprimento de obrigações diante da queda de receitas e do fluxo de caixa negativo.

Segundo a estatal, a decisão buscou preservar a liquidez. “A combinação entre a redução da receita e o aumento dos gastos acentuou o desequilíbrio financeiro”, informou.

Foram adiados os seguintes valores:
• INSS Patronal: R$ 1,44 bilhão;
• Fornecedores: R$ 732 milhões;
• Postal Saúde: R$ 545 milhões;
PIS/Cofins: R$ 457 milhões;
• Remessa Conforme: R$ 346 milhões;
• Postalis: R$ 135 milhões.

Nos primeiros nove meses de 2025, a empresa registrou entrada de R$ 16,94 bilhões, diante de obrigações de R$ 20,65 bilhões.

A estatal afirmou que, caso todos os pagamentos tivessem sido feitos nas datas originais, os desembolsos chegariam a R$ 19,71 bilhões. “Nesse cenário, o resultado seria um déficit operacional estimado em R$ 2,77 bilhões, superior à capacidade de cobertura com os recursos disponíveis no período”, declarou.

O documento também aponta que parte da deterioração financeira decorre de dívidas acumuladas em 2024 e empurradas para 2025.

“A expressiva redução das saídas reflete, sobretudo, os efeitos das postergações de pagamentos e as limitações na captação de recursos em dezembro de 2024”, registra o texto.

A Diretoria Econômico-Financeira estima prejuízo de R$ 5,8 bilhões em 2025. No terceiro trimestre, o resultado negativo chegou a R$ 6 bilhões.

Em julho, a dívida atrasada era de R$ 2,75 bilhões. Desde então, houve aumento de cerca de R$ 1 bilhão.

Os principais crescimentos ocorreram em:
• INSS Patronal: aumento de R$ 696 milhões;
• PIS/Cofins: aumento de R$ 249 milhões;
• Postal Saúde: aumento de R$ 182 milhões;
• Fornecedores: aumento de R$ 80 milhões;
• Remessa Conforme: aumento de R$ 75 milhões.

Os atrasos em PIS/Cofins mais que dobraram no período. A dívida com o INSS Patronal quase duplicou em pouco mais de três meses.

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