O Cão Orelha e o chiqueiro chamado STF
Brasília, Quinta, 04 de junho de 2026
Justiça

O Cão Orelha e o chiqueiro chamado STF

Cão Orelha. Foto: Reprodução.

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Por Redação

Por Cristiano Caiado De Acioli

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Qual é a relação entre a morte do Cão Orelha, brutalmente assassinado por jovens da elite de Florianópolis, e o órgão máximo do Judiciário brasileiro?

A resposta é simples e perturbadora: tudo.

O Cão Orelha era um ser indefeso, um animal dócil, habitante de um paraíso natural, sem qualquer condição de reação. Foi torturado, inclusive com um prego cravado na cabeça, para que jovens que têm tudo na vida pudessem se divertir. Não houve necessidade, não houve defesa, não houve humanidade. Houve apenas crueldade.

O Supremo Tribunal Federal, cercado de privilégios, regalias e salários de marajás, promoveu algo análogo em outra escala: torturou a Constituição, matou garantias fundamentais, negou direitos básicos a cidadãos comuns, inclusive idosos, mulheres e inocentes — e normalizou o abuso como método.

Um cachorro assassinado uma única vez ainda é capaz de provocar mais comoção do que a violência institucional praticada todos os dias contra a sociedade brasileira. E aí está a resposta para uma pergunta que nem chegou a ser formulada: a rotina da arbitrariedade e a blindagem do poder tornaram o país insensível ao mal que emana do topo.

A mesma juventude que gargalha diante de ministros debochando da lei, violando direitos humanos e se colocando acima de qualquer limite é a juventude que matou o Cão Orelha. São eles os futuros juízes, empresários, formadores de opinião e líderes. O espelho está dado.

Há nisso uma correspondência simbólica que assusta. O cachorro representa a lealdade, a inocência, o melhor amigo do homem. Sua morte simboliza o perecimento de algo nobre, ainda que em um caso isolado.

Do outro lado, temos o centro nervoso do Judiciário mais caro do planeta, tragado por um lamaçal moral. Um verdadeiro chiqueiro. O arquétipo do porco, abundância sem limite, mas também degradação absoluta.

Quando o topo do Estado se converte em uma estrutura criminosa, a base da sociedade inevitavelmente começa a refletir essa decomposição. A corrupção moral escorre de cima para baixo. Como em cima, assim embaixo.

Não se trata apenas de um cachorro morto. Trata-se de um país adoecido, onde a crueldade virou entretenimento, a injustiça virou rotina e o poder perdeu qualquer vínculo com a dignidade humana.

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