Nova Guerra Fria: Economista explica como Lula coloca o Brasil do lado errado da história - Claudio Dantas
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Análises Críticas

Nova Guerra Fria: Economista explica como Lula coloca o Brasil do lado errado da história

Diplomacia de Lula isola Brasil e ameça economia com tarifas americanas
Brasil na encruzilhada: Lula alinha país ao Bloco Chinês e paga preço com tarifaço de Trump

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Por Henrique Soldani

Crise com EUA revela alinhamento de Lula ao bloco autoritário

Na segunda-feira (14), o programa Alive, comandado por Cláudio Dantas, analisou a crise diplomática entre Brasil e Estados Unidos, agravada pela imposição de tarifas de 50% pelo governo Trump. Com a participação do economista JH Fonseca, Júlia Lucy e do advogado André Marsiglia, o debate destacou as consequências da política externa do presidente Lula que compromete a economia nacional e isola o país no cenário global.

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Claudio Dantas abriu o programa com uma crítica à condução do atual presidente da república.

“Lula conseguiu nos levar ao limite numa condição vexatória, constrangedora e perigosa. O Brasil, em 200 anos de relações com os Estados Unidos, com exceção do (governo) Getúlio Vargas na época em que ele quis abraçar o reich – está vivendo uma situação muito parecida: um Brasil governado por um sujeito que não deveria estar onde está, que não tem compromisso com o país. Falar em soberania na boca dessa gente é quase veneno, porque eles não sabem o que é soberania. E depois de muito provocar, agora vem a conta que será paga por todos nós”, afirmou o jornalista.

O economista JH Fonseca contextualizou a crise no cenário de uma nova guerra fria.

“Apesar de o Trump ter colocado na carta a menção à questão de Bolsonaro, o que a gente olha a partir de 2017 é que o mundo está entrando em uma nova guerra fria em que os países são obrigados a se posicionar. Neutralidade já não é um bom negócio econômico”, destacou. Ele explicou que, desde o fim da Guerra Fria até o início dos anos 2010, os EUA toleravam posturas ambíguas de países como o Brasil. A gente precisa entender que aquela paz americana do final da Guerra Fria até mais ou menos o início de 2010 acabou. Nesta paz americana, era um pouco tolerável, do ponto de vista americano, essas bravatas que a gente está escutando do presidente Lula e de outros presidentes. Era um pouco tolerável para os EUA que se tivessem ofensas ao país ou nas relações comerciais com o país”, observou.

Fonseca detalhou o impacto do fortalecimento da China nas últimas décadas. “No final dos anos 90 até o início dos anos 2000, a China não era nem a terceira maior economia do mundo. Não tinha ameaça à economia americana. A partir de 2010, você tem um claro segundo lugar da China, que enfrenta os EUA tanto comercialmente quanto em outras questões, como propriedade intelectual, manipulação de moedas, questões militares. A China usando seus pontos de lança no Irã, Taiwan… Então, os EUA começam a ficar cada vez menos tolerantes com países que ficam em cima do muro”, explicou.

O economista criticou as escolhas do terceiro mandato de Lula. “Quando o presidente Lula assume, ele vai construindo o que chegou à situação atual. Ele começa aceitando navio iraniano nos portos brasileiros, defende uma moeda dos Brics contra o dólar e, apesar de ter uma política de dizer verbalmente que o Brasil é neutro, ele faz uma política esquizofrênica, porque, na prática, ele vai se alinhando cada vez mais ao bloco autoritário que a gente tem hoje, liderado pela China, tendo a Rússia como segundo aliado, e o Brasil está se aliando automaticamente. Então, a gente já está numa guerra fria. Os EUA não podem ser mais tolerantes. Citaram o Bolsonaro (na carta de Trump), mas do ponto de vista comercial, isso vai muito além da política e ideologia. O que a gente está vendo hoje é os EUA forçando os países a tomarem um partido. Se a gente voltar três anos atrás, tinha a questão do 5G, e a Europa foi obrigada a escolher: pode Huawei ou não pode Huawei? O Brasil está adotando sistemas chineses aqui para dentro, e isso não vai mais sair de graça. Os EUA estão empurrando os países a adotarem um lado. A Europa teve que adotar, por mais que ela tenha suas questões com o Trump, ela ficou do lado do Trump. O Canadá teve que adotar também, por mais que tenha um primeiro-ministro socialista; ele ergueu barreiras comerciais contra os carros elétricos chineses, fez um acordo de defesa com o Reino Unido, com a Austrália e com os EUA. Todos os países do bloco democrático, do bloco ocidental, sejam eles de esquerda ou de direita, estão sendo empurrados para os EUA a se decidirem: querem uma democracia a favor do bloco ocidental ou estar alinhado ao bloco chinês? Hoje mesmo, o Brasil tomou a iniciativa de entrar numa provocação da África do Sul de condenar Israel. Quando Israel atacou o Irã, a Europa, que tem suas questões com Israel, não se opôs. Quando o Lula defende pautas antiamericanas, isso não sai mais de graça. No final dos anos 90, isso podia sair de graça, porque a gente era muito pequenininho; a gente ainda é, mas agora a gente tem um rival chamado China, que os EUA não podem mais tolerar. E quem está pagando a conta são os empresários brasileiros”, concluiu Fonseca.

Cláudio Dantas, ao final da fala de Fonseca, questionou a narrativa do governo. “A gente ouviu, na semana passada, a Janja chamando a turma de ‘vira-lata’. Fiquei pensando: quem é mais vira-lata? Quem entrega o país para a China? A gente vive um viralatismo que parece ser inerente à nossa cultura de colonizado, infelizmente. E isso muda a perspectiva de quem lidera. Nós seremos sempre esse fazendão?”, provocou o jornalista.

O debate continuou entre os convidados que citaram inúmeras fragilidades da política externa brasileira, que, segundo os debatedores, prioriza alinhamentos autoritários em detrimento dos interesses econômicos e estratégicos do Brasil.

Para assistir na íntegra, clique aqui.

 

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