Soberania relativa: dez vezes em que a esquerda pediu interferência estrangeira na política brasileira - Claudio Dantas
Brasília, Sexta, 26 de junho de 2026
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Soberania relativa: dez vezes em que a esquerda pediu interferência estrangeira na política brasileira

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Por Eli Vieira

Jornalista e Biólogo

O novo vandalismo semântico realizado pela esquerda acontece sobre o termo “soberania”. Há mais de um ano, por orientação de caciques como José Dirceu, a tônica é alegar que a busca de ajuda internacional para problemas domésticos, como a censura aplicada por Alexandre de Moraes, é um atentado à nossa soberania.

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Por sua própria métrica, a esquerda passou os últimos anos “atentando” contra a soberania nacional. Confira os exemplos abaixo.

1. Esquerda pede intervenção externa para restituir Dilma à presidência (2016).

Em agosto de 2016, quando já estava claro que a presidente Dilma Rousseff (PT) sofreria impeachment por ter feito pedaladas fiscais, os deputados petistas Wadih Damous (RJ), Paulo Teixeira (SP) e Paulo Pimenta (RS), junto com o senador Telmário Mota (PDT-RR), foram a Washington pedir que o suposto “golpe de Estado” fosse revertido e que a mandatária petista fosse restituída ao cargo. O pedido foi feito à Organização dos Estados Americanos (OEA), dentro da qual os EUA têm grande influência.

2. Gleisi Hoffmann pede ao mundo árabe que liberte Lula (2018).

Em abril de 2018, em vídeo para a emissora Al Jazeera, a então senadora petista Gleisi Hoffmann (PR) alegou que Lula era um “preso político” e pediu algum tipo de apoio dos árabes. “Lula é um grande amigo do mundo árabe”, disse ela. “A prisão de Lula é continuidade do golpe que se iniciou em 2016”.

3. Lula usa carta de congressistas americanos contra sua prisão (2018).

O senador socialista americano Bernie Sanders, que já havia pedido para o governo americano intervir para parar o impeachment de Dilma dois anos antes, se juntou a 29 congressistas para publicar uma carta alegando que a prisão de Luiz Inácio Lula da Silva após condenação nos processos da Lava Jato era uma “prisão política” baseada em “acusações não comprovadas”. A carta também palpitou que o presidente Michel Temer era de “extrema direita”. Contas oficiais de Lula nas redes sociais reproduziram a carta com a chamada “Bernie Sanders quer Lula Livre!”.

4. Defesa de Lula recorre a ONU para tentar impedir prisão (2018).

Em abril de 2018, os advogados de Lula protocolaram um pedido liminar no Comitê de Direitos Humanos das Nações Unidas, alegando violações aos direitos humanos e pedindo a suspensão da execução da pena de prisão até o esgotamento de todos os recursos judiciais. Em agosto, o comitê atendeu parcialmente, solicitando que o Brasil tomasse medidas para permitir que Lula exercesse seus direitos políticos até uma condenação final, incluindo a participação nas eleições presidenciais como candidato, até uma decisão definitiva em instâncias superiores. É o contrário do tratamento dispensado a Bolsonaro recentemente, que foi tornado inelegível pelo TSE antes do término do julgamento por suposta tentativa de golpe em curso no STF.

5. Artistas alegam ser alvo de censura por Bolsonaro e chamam comunidade internacional (2020).

Em fevereiro de 2020, um texto com 1.900 assinaturas de artistas, intelectuais e políticos, incluindo Caetano Veloso, Chico Buarque, Noam Chomsky, Sting e Willem Dafoe, alegou que o governo Bolsonaro não tolerava “qualquer desvio de sua política ultraconservadora”. Sem exemplos concretos de censura, a carta apontou para o uso de um canal oficial do governo para fazer uma crítica à cineasta de esquerda Petra Costa, por conta de seu documentário “Democracia em vertigem” — que vende a narrativa petista sobre o impeachment de Dilma. O tal “canal oficial” era a conta de Twitter da Secretaria de Comunicação Social. “Bolsonaro e seus ministros atacam as minorias e negam as demandas dos movimentos negros, indígenas, LGBTTQ+”, alegou a carta. “Chamamos assim a comunidade internacional a se solidarizar e se posicionar publicamente”.

6. Felipe Neto pede ajuda dos americanos (2020).

Em julho de 2020, no começo da pandemia, o influenciador Felipe Neto, cabo eleitoral de Lula em 2022, publicou um vídeo de opinião no jornal The New York Times pedindo ajuda do povo americano contra o presidente brasileiro Jair Bolsonaro. Falando em inglês, Neto dizia que uma forma de ajudarem o Brasil seria a derrota de Trump nas urnas. No Twitter, ele também pediu que Pam Keith, uma candidata ao Congresso americano pelo Partido Democrata, fizesse seu vídeo chegar a Joe Biden e Kamala Harris. “Nosso presidente está matando pessoas desde o primeiro dia”, alegou o YouTuber. Como é muito comum na atitude dele, ele apagou a publicação mais tarde.

7. Governadores pedem que Biden drible Bolsonaro em política ambiental (2021).

Em abril de 2021, 23 governadores formaram a “Coalizão Governadores pelo Clima” e produziram uma carta pedindo interferência do presidente americano Joe Biden nas políticas ambientais do Brasil. A intenção era uma parceria que deixasse de fora o presidente Bolsonaro e sua rejeição ao Acordo de Paris. Entre os signatários estavam João Doria (SP), Flávio Dino (MA), Fátima Bezerra (RN) e até alguns aliados de Bolsonaro como Romeu Zema (MG) e Cláudio Castro (RJ). Eles queriam que os EUA doassem dinheiro diretamente a fundos estaduais, driblando o governo federal brasileiro. Um trecho da carta: “Bolsonaro compromete os Acordos de Paris ao retroceder na ambição de uma meta climática brasileira. Negacionista da pandemia, transformou seu país num berçário de variantes do coronavírus, condenando à morte parte da própria população”.

8. Sônia Guajajara vai aos EUA e pede intervenção contra “projeto altamente genocida” de Bolsonaro (2022).

A atual ministra dos Povos Indígenas, Sônia Guajajara, foi aos Estados Unidos em junho de 2022 com dois propósitos: receber o prêmio Time 100 e se encontrar, junto a outras lideranças indígenas, com o Conselho de Segurança Nacional e o senador Edward Markey, do Comitê de Relações Exteriores. “Os direitos indígenas estão sob ataque e os territórios sendo explorados para atender um projeto altamente genocida do governo Bolsonaro”, alegou Guajajara na época. “Precisamos muito da força internacional para enfrentarmos essa onda de ataques”.

9. Missão secreta contra o suposto golpe (2022).

Em julho de 2022, ano de eleições, vinte brasileiros “líderes de organizações da sociedade civil” viajaram a Washington D.C. e fizeram seis dias de reuniões a portas fechadas com o governo Biden. As reuniões tiveram presença do Departamento de Estado e de sete parlamentares americanos do Partido Democrata. A alegação dos brasileiros era que Bolsonaro planejava aplicar um golpe de Estado e “só uma pressão internacional contundente poderia impedir”, como colocou a revista Piauí. Segundo a publicação, o grupo “driblou vigilância do Itamaraty”. Os vinte brasileiros, inclusive “petistas e lulistas” mantidos anônimos pela revista progressista, queriam “fazer com que o governo americano vociferasse ameaças críveis de retaliação caso o resultado das eleições fosse desrespeitado”.

“Poucos membros da comitiva de julho de 2022 gostariam de ver as coisas postas dessa forma, mas o fato é que aquele era um grupo de esquerdistas brasileiros indo a Washington pedir que os EUA tomassem alguma atitude em relação aos rumos da política interna do Brasil”, publicou a Piauí, num acesso de sincericídio. “Num certo sentido, era uma Operação Brother Sam ao contrário só que, dessa vez, com os americanos se colocando ao lado da democracia”. Compra esse papo quem quer.

Algo similar foi feito por Luís Roberto Barroso, ministro do STF, que recentemente confessou ter pedido ajuda aos Estados Unidos nas eleições de 2022.

10. Comunistas brasileiros articulam cooperação com esquerda americana (2024).

Em abril de 2024, uma comitiva de parlamentares brasileiros de esquerda foi aos Estados Unidos para “estreitar a cooperação contra a extrema-direita”. Mais uma vez, o senador socialista americano Bernie Sanders era um dos envolvidos. A deputada comunista Jandira Feghali (PCdoB-RJ) disse que o intuito da visita era “iniciar uma frente internacional em defesa da democracia e organizar o enfrentamento à extrema-direita”. Parece que, quando é conveniente, os Estados Unidos não são o monstro imperialista do capitalismo.

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