Alfredo Gaspar criticou silêncio do advogado e pediu ampliação das quebras de sigilo
O relator da CPMI do INSS, deputado Alfredo Gaspar (União-AL), afirmou nesta quinta-feira (18) que o advogado Nelson Wilians será um “provável investigado” pelo colegiado.
Convocado para depor, Wilians decidiu não assumir o compromisso de dizer a verdade e permaneceu em silêncio diante da maioria das perguntas. Ele negou envolvimento em fraudes no INSS.
“[Nelson Wilians] chega aqui como uma testemunha e sai daqui como um provável investigado pela CPMI. Não havia razão para muitas das perguntas ele ter como resposta esse silêncio. O silêncio dele falou muito alto”, disse Gaspar a jornalistas.
O parlamentar classificou a oitiva como “frustrante” e defendeu ampliar as investigações a partir de quebras de sigilo. “Nós temos que ir atrás das outras estruturas criminosas. E por que ainda não chegamos a esse ponto? Porque o afastamento dos sigilos também ainda não está sob a nossa tutela”, afirmou.
O presidente da CPMI, senador Carlos Viana (Podemos-MG), declarou que o relatório final será elaborado com base em informações já obtidas, mesmo sem a cooperação de convocados. “Nós não necessitamos de nenhum depoimento das pessoas confirmando ou não as quebras de sigilo e as informações obtidas. O relatório vai ser feito com base nessas investigações, nessas informações”, disse.
O STF concedeu a Wilians habeas corpus parcial, garantido pelo ministro Nunes Marques, permitindo silêncio e a dispensa de compromisso com a verdade. Na semana passada, o advogado foi alvo de buscas em São Paulo.
“As pessoas podem vir aqui com habeas corpus, não falar absolutamente nada, é um direito delas, mas elas não podem fugir dos fatos. As investigações, as quebras de sigilo estão mostrando claramente a responsabilidade de cada um. A meu ver, o silêncio só confirma o que está sendo colocado pelos parlamentares”, declarou Viana.
No depoimento, Wilians negou conhecer Antônio Carlos Camilo Antunes, o “careca do INSS”. Admitiu, no entanto, amizade com Maurício Camisotti, empresário investigado e preso na sexta-feira (12).
