“Não falta regra, falta vergonha na cara”, diz Marsiglia
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Justiça

“Não falta regra, falta vergonha na cara”, diz Marsiglia sobre carta da USP

No Alive, advogado critica manifesto “Ninguém acima da lei” e questiona mudança de posição da academia em relação ao STF

No programa Alive, André Marsiglia afirma que carta da USP contra o STF é “formalismo” e questiona postura da academia diante de investigações envolvendo ministros
No programa Alive, André Marsiglia afirma que carta da USP contra o STF é “formalismo” e questiona postura da academia diante de investigações envolvendo ministros

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Por Mariana Albuquerque

Jornalista e pós-graduada em Direito Legislativo.

Durante o programa Alive, apresentado por Claudio Dantas nesta terça-feira (3), o advogado e analista André Marsiglia criticou o manifesto lançado na Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP) em defesa de um código de conduta para o Supremo Tribunal Federal.

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O ato reuniu entidades civis, jurídicas e empresariais e resultou na carta intitulada “Ninguém acima da lei”, que pede mais transparência na Corte e cita episódios como o caso Banco Master e supostos conflitos de interesse.

Marsiglia questionou o posicionamento da universidade e afirmou que houve mudança de discurso em relação ao STF. Disse que o novo manifesto contraria carta anterior que teria defendido a Corte como garantidora da democracia.

“O que me espanta nessa história dessa nova carta, a carta da democracia, que agora é uma carta da democracia contra a carta da democracia que foi feita antes, eu não entendi isso”, afirmou.

Segundo ele, a academia precisa definir qual posição adota. Declarou que, se a visão muda a cada momento, “não tem visão nenhuma”.

O advogado também ironizou a contagem de público no evento e criticou o que classificou como incoerência institucional.

Para Marsiglia, a iniciativa não enfrenta o centro do problema. “Defender regra de conduta no surubão que se tornou o STF é a mesma coisa de abraçar árvore”, disse. Em seguida, completou: “Não serve pra nada, é só formalismo, ismo, é só um gesto, um gesto inútil”.

Caso Master e investigações

O comentarista citou declarações recentes do senador Alessandro Vieira sobre apurações na CPI do Crime Organizado. Mencionou que há investigações em curso envolvendo o ministro Dias Toffoli e decisões relacionadas ao caso Master.

Segundo Marsiglia, o debate atual envolve suspeitas formais e investigações conduzidas por órgãos oficiais. Afirmou que não se trata apenas de discutir regras de conduta, mas de apurações sobre possíveis crimes.

“Não é que o STF não está acima da lei, o STF está à margem da lei”, declarou. E acrescentou: “Nós temos a chance, nós estamos às voltas com investigações de que é possível haver marginais dentro do STF”.

Ele citou reportagens que mencionam a atuação da Polícia Federal em apurações relacionadas ao caso. “Não sou eu que tô falando, é a Polícia Federal”, afirmou.

Marsiglia também fez referência à decisão do ministro Gilmar Mendes que anulou a quebra de sigilo da empresa Maridt, ligada à família de Toffoli, determinada pela CPI.

Impeachment e cenário político

Ao comentar a possibilidade de impeachment de ministro do STF, o advogado disse considerar difícil que isso ocorra em ano eleitoral, mas defendeu que a medida seja discutida.

“A gente tem que comer tudo que aparecer. É impeachment que está na mesa? Vamos comer. É dosimetria que está na mesa? Vamos comer”, afirmou.

Ele declarou ser favorável ao impeachment “ontem, hoje ou amanhã” e comparou o momento ao processo que levou ao afastamento do ex-presidente Fernando Collor.

Marsiglia avaliou que eventual abertura de processo poderia criar precedente institucional. Disse que, mesmo com a possibilidade de nova indicação presidencial, a discussão deve avançar.

O programa também contou com a participação da cientista política Júlia Lucy, que afirmou ver a manifestação da USP como sinal de desconforto de setores da esquerda com decisões recentes da Corte.

O documento “Ninguém acima da lei” está aberto para novas assinaturas e deve ser encaminhado ao presidente do STF, Edson Fachin.

Assista ao programa na íntegra

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