MPF quer impor cotas em residência médica do Einstein
Brasília, Quarta, 10 de junho de 2026
Justiça

MPF quer impor cotas em residência médica do Einstein

Órgão quer reserva de vagas para negros, indígenas, quilombolas, pessoas com deficiência e transexuais.

MPF quer impor cotas em residência médica do Einstein
MPF quer impor cotas em residência médica do Einstein

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Por Redação

O Ministério Público Federal (MPF) ingressou na Justiça para obrigar a Sociedade Beneficente Israelita Brasileira Hospital Albert Einstein a adotar cotas nos programas de residência médica da instituição.

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A ação pede a reserva de vagas para cinco grupos específicos: 30% para negros, 10% para pessoas com deficiência, 5% para indígenas, 5% para quilombolas e 5% para transexuais.

Atualmente, o processo seletivo da residência médica do Einstein ocorre exclusivamente por ampla concorrência. Na edição de 2026, a instituição oferece 111 vagas distribuídas entre diferentes especialidades. Os candidatos são avaliados por prova teórica, prova prática e análise curricular.

O MPF sustenta que o hospital deve adotar ações afirmativas por participar do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do Sistema Único de Saúde (Proadi-SUS), que concede imunidade a tributos federais em troca da realização de projetos voltados ao interesse público.

Segundo o órgão, uma portaria editada pelo Ministério da Saúde no fim de 2024 determinou que projetos, bolsas e processos seletivos vinculados às ações da pasta reservem vagas para negros, indígenas, quilombolas, pessoas trans e pessoas com deficiência.

A ação também argumenta que a residência médica é uma modalidade de pós-graduação e que políticas afirmativas já são exigidas em programas de pós-graduação previstos pela legislação federal.

Para o MPF, a adoção de cotas não constitui mera escolha administrativa, mas uma obrigação decorrente de princípios constitucionais voltados à ampliação do acesso e à redução de desigualdades.

O Ministério Público cita ainda dados do estudo “Demografia Médica no Brasil 2023”, elaborado pela USP e pela Associação Médica Brasileira (AMB). Segundo o levantamento, negros representam 55,5% da população brasileira, mas ocupam 27,5% das vagas de residência médica. Médicos autodeclarados brancos correspondem a 70,1% dos residentes.

Devido ao estágio atual do processo seletivo de 2026, o MPF pede a concessão de liminar para determinar a publicação de editais complementares ou suplementares voltados exclusivamente aos grupos contemplados pelas cotas.

O cálculo das reservas seria realizado sobre o total das 111 vagas ofertadas, e não individualmente por especialidade.

Além disso, o órgão solicita a fixação de multa diária de R$ 10 mil em caso de descumprimento da eventual decisão judicial. Também requereu que a União seja intimada para avaliar a possibilidade de participar do processo.

A instituição informou que, até o momento, não havia sido formalmente citada e, por isso, afirmou não ter acesso ao conteúdo da ação judicial.

Em manifestações encaminhadas ao procedimento do MPF, o Einstein argumentou que seus programas de residência médica são financiados com recursos próprios e que não existe obrigação legal específica para adoção de cotas.

A entidade também sustenta que os programas de residência não possuem vínculo com os projetos executados por meio do Proadi-SUS, mas seguem as normas da Comissão Nacional de Residência Médica (CNRM). Segundo a instituição, a regulamentação atual não estabelece critérios obrigatórios para implementação de ações afirmativas nos processos seletivos.

O hospital defende autonomia administrativa para definir as regras de ingresso em seus programas de residência médica.

Caso não haja acordo entre as partes, o processo seguirá para produção de provas e julgamento do mérito, quando a Justiça decidirá se haverá ou não obrigatoriedade de reserva de vagas nos futuros processos seletivos da instituição.

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