Novas regras aprovadas pela Alesc priorizam cotas para baixa renda e rejeitam identitarismo
Em entrevista ao programa ALive desta sexta-feira (12), o deputado estadual Alex Brasil (PL-SC) comentou o projeto de lei de sua autoria que proíbe a adoção de cotas raciais ou de gênero por universidades estaduais. A proposta foi aprovada nesta semana na Alesc.
Segundo o parlamentar, a nova lei “deixa claro que as cotas devem ser aplicadas para ajudar quem tem problema de ordem econômica”. Ele negou que a medida retire oportunidades de pessoas negras. “Se um negro tem baixa renda, ele está qualificado para participar das cotas”, afirmou.
Brasil criticou o “discurso ideológico” da esquerda sobre o tema. Para ele, militantes tentam rotular os defensores do projeto como racistas. Ele reforçou que o critério passa a ser exclusivamente socioeconômico: “As cotas deverão ser aplicadas para quem possui deficiência econômica, e isso não quer dizer que é só para pessoas negras. Qualquer pessoa de baixa renda poderá participar”.
O deputado estadual citou como exemplo o caso “de filho de juiz, negro, ocupando cota para vaga de medicina”, o que, segundo ele, ilustra distorções do modelo anterior. “Não tem cabimento uma pessoa que é filho de juiz, que tem condições de pagar pelos próprios estudos, participar de cota [racial]”.
Brasil acrescentou que, com a mudança, as cotas socioeconômicas poderão beneficiar também pessoas brancas de baixa renda. “O que ficou estabelecido é que qualquer tipo de cota afirmativa não deve mais prevalecer dentro do estado de Santa Catarina”, disse.
Ele afirmou ainda que as ações afirmativas anteriores não se restringiam às cotas raciais. “Era cota para questão de gênero, para trans, para refugiado, para ex-presidiário, até para gente de outros estados além de Santa Catarina — Norte, Nordeste — que, querendo fazer um curso aqui, teria cota.”
Para o deputado, esse modelo antigo prejudicava o catarinense que financia as universidades públicas e “acabava sendo colocado no final da fila”.
Brasil disse também acreditar que o projeto “muito provavelmente” será judicializado, mas afirmou estar preparado para isso: “Nós não podemos nos eximir da nossa responsabilidade, enquanto Legislativo de Santa Catarina, de fazer valer aquilo que a grande maioria dos catarinenses pensa”
Proposta atinge “coração” da “indústria identitária”, diz Dantas
O jornalista Claudio Dantas, apresentador do programa, afirmou que a proposta de Brasil atinge o “coração” da “indústria identitária”. Segundo ele, esse sistema não se limita à política, mas se estrutura como uma indústria cultural.
“Ela produz riqueza estratificando a sociedade. Explora a cisão e o conflito para vender — para vender política, cultura, tudo: camisa, livros, até candidato.”
Dantas acrescentou que essa indústria seria “fortíssima”, operada por ONGs e financiada por “metacapitalistas como George Soros”. “Então, vocês estão mexendo, realmente, num ninho de vespa”, concluiu.
