Motta volta a restringir acesso da imprensa ao plenário
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Política

Motta volta a restringir acesso da imprensa ao plenário

Motta volta a restringir acesso da imprensa ao plenário

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Por Mariana Albuquerque

Jornalista e pós-graduada em Direito Legislativo.

Entrada de jornalistas foi bloqueada antes do início da sessão por orientação da Presidência

O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), bloqueou novamente nesta terça-feira (10) a entrada de jornalistas no plenário da Casa. A Polícia Legislativa informou que a medida valeria apenas até o início da sessão e que, até então, a imprensa só poderia permanecer na galeria — regra que não existia anteriormente.

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O Comitê de Imprensa reagiu à decisão e se reuniu dentro do gabinete da Presidência da Câmara. A DPOL confirmou, por meio de uma porta-voz, que a orientação partiu da Presidência da Casa.

Mais cedo, a Associação Brasileira de Imprensa informou, em nota, que apresentará representação à Procuradoria-Geral da República para que Motta seja investigado por crime de responsabilidade por conta do episódio na noite anterior (09).

A tentativa de obstrução dos trabalhos pelo deputado Glauber Braga ontem foi mais um teste da autoridade de Motta à frente da Câmara. Após o anúncio de que seriam pautados processos de cassação, incluindo o de Glauber, o parlamentar ocupou a cadeira da Presidência e declarou que não sairia.

A transmissão da TV Câmara foi interrompida. Policiais legislativos retiraram jornalistas do plenário e, no Salão Verde, houve empurrões e restrição à cobertura.

Glauber deixou o plenário cercado por aliados, criticou Motta e foi encaminhado para avaliação médica.

A Associação também anunciou que encaminhará denúncia à Relatoria Especial de Liberdade de Expressão da Comissão Interamericana de Direitos Humanos da Organização dos Estados Americanos e pedirá que a Comissão de Ética da Câmara adote medidas contra o presidente da Casa por quebra de decoro parlamentar e infração disciplinar.

As medidas ocorrem após jornalistas serem agredidos pela Polícia Legislativa e impedidos de circular no plenário durante a retirada do deputado Glauber Braga da cadeira da Presidência da Câmara, ocupada em protesto contra a votação de seu processo de cassação.

Presidência nega ordem direta para ação policial

Um auxiliar designado por Motta se reuniu na madrugada desta terça-feira (9) com o vice-presidente do Comitê de Imprensa da Câmara, Victor Ohana, para transmitir a mensagem de que o presidente da Casa estaria “indignado” com a ação da Polícia Judiciária contra os jornalistas no plenário.

O assessor de comunicação da Presidência, Gilclécio Lucena, disse ao Comitê de Imprensa que Motta não autorizou a ação da DPOL nem a proibição de acesso e declarou que o caso será apurado.

O entorno do presidente avalia que o episódio revelou um “erro estrutural” no protocolo da Câmara para situações desse tipo.

Alerta sobre escalada de agressividade

O Comitê de Imprensa informou que já havia alertado Motta, em 4 de setembro, sobre uma “escalada” da agressividade da Polícia Legislativa contra jornalistas. Na ocasião, foi cobrada uma ação concreta para revisão dos procedimentos.

O Comitê também solicitou a criação de um canal direto de diálogo entre o presidente da Casa e os jornalistas que cobrem o Legislativo.

A Federação Nacional dos Jornalistas e o Sindicato dos Jornalistas do Distrito Federal divulgaram nota conjunta na qual repudiam “veementemente” a violência contra os profissionais e o desligamento do sinal da TV Câmara.

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