O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), declarou que, embora respeite a decisão do deputado Eduardo Bolsonaro (PL-RJ) de deixar o país, não permitirá que ele exerça o mandato morando nos Estados Unidos. Motta ressaltou que o regimento interno da Casa não prevê a possibilidade de “mandato a distância” e que não há motivos para abrir uma exceção ao filho do ex-presidente.
“Não há previsibilidade para o exercício do mandato à distância pelo nosso regimento. Isso seria uma excepcionalidade, o que não se justifica para o momento”, afirmou ao portal Metrópoles. Motta explicou que a decisão de Eduardo de se mudar para os EUA é uma “escolha política” pessoal, diferente da situação da pandemia de Covid-19, quando o trabalho remoto foi permitido por questões de saúde pública.
O presidente da Câmara também descartou qualquer possibilidade de mudar o regimento para beneficiar um único deputado. “Regimento se muda, mas por que abrir (exceção) para Eduardo Bolsonaro, e não abrir para os demais? Não dá para tratar isso como algo excepcional. Foi uma decisão dele”, reforçou Motta.
Ao ser questionado sobre as ameaças de sofrer sanções dos EUA, como as que foram aplicadas ao ministro Alexandre de Moraes, Motta disse que isso é parte do ônus de seu cargo. Nesta quinta-feira (7), Eduardo voltou a ameaçar Motta e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, com a Lei Magnistsky, caso não pautem a anistia a envolvidos no 8 de janeiro e o impeachment de de Moraes.
“O ônus é esse equilíbrio. Não podemos ficar vinculando a nossa atuação política a essa ou aquela argumentação ou risco. Estou muito tranquilo com a minha atuação e tenho buscado resolver tudo na base do diálogo”, concluiu Motta.
