Motta diz que cassação de Ramagem foi decisão da Mesa
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Política

Motta diz que cassação de Ramagem foi decisão da Mesa

Hugo Motta banca Derrite e desafia Planalto foto: Agência Brasil
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Por Mariana Albuquerque

Jornalista e pós-graduada em Direito Legislativo.

Presidente da Câmara afirma que líderes concordaram com solução administrativa para evitar novo impasse institucional

O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), afirmou nesta sexta-feira (19) que a decisão de cassar o mandato do deputado Alexandre Ramagem (PL-RJ) por ato da Mesa Diretora teve o aval da maioria dos líderes partidários. Segundo Motta, a medida buscou evitar um novo “estresse institucional” com o Supremo Tribunal Federal.

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A declaração foi dada em conversa com a imprensa. Motta disse que havia a previsão inicial de submeter o caso ao plenário, mas que a avaliação dos líderes foi pela adoção de uma solução administrativa após a Câmara não alcançar os votos necessários para cassar a deputada Carla Zambelli (PL-SP), em episódio recente que contrariou decisão do STF.

“A questão do Ramagem, que estava prevista para ir ao plenário, por decisão dos líderes e dos membros da Mesa e para evitar um novo episódio de conflito, de estresse institucional, houve uma decisão aqui capitaneada pelos líderes de que pudéssemos decidir isso pela Mesa”, afirmou o presidente da Câmara.

Na quinta-feira (18), a Mesa Diretora decidiu pela cassação de Ramagem e também declarou a perda do mandato do deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP). No caso de Ramagem, a decisão decorre da condenação no processo que apura tentativa de golpe de Estado e de determinação do STF para a perda do mandato.

No caso de Eduardo Bolsonaro, a Mesa aplicou o artigo 55 da Constituição, que prevê a perda automática do mandato por faltas a mais de um terço das sessões deliberativas. O deputado está fora do país há meses e é investigado pelo STF por atuação contra o Judiciário e por articulações no exterior.

Motta afirmou que decidiu enfrentar o tema ainda em 2025 para evitar que o caso se prolongasse para o próximo ano legislativo. Segundo ele, a condução buscou preservar a rotina da Casa e reduzir riscos de novos conflitos institucionais.

O presidente da Câmara também comentou o episódio em que o deputado Glauber Braga (PSOL-RJ) foi retirado fisicamente da Mesa Diretora pela Polícia Legislativa. Motta disse que adotará o mesmo procedimento em situações semelhantes no futuro.

“No caso do Glauber eu tomei a decisão de já não deixar crescer um motim e retirar fisicamente. Pode ter certeza que se isso voltar a acontecer será igual ao que foi com o Glauber, agora com quem quer que seja”, declarou.

Glauber teve o mandato suspenso por seis meses após ocupar a Mesa durante protesto. Motta afirmou que confia no Conselho de Ética para avaliar eventuais punições a outros parlamentares que adotem conduta semelhante.

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