Presidente da Câmara diz que Planalto deve explicar voto contra proposta aprovada por ampla maioria
O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), cobrou nesta quarta-feira (19) que o governo federal explique por que se posicionou contra o PL Antifacção. A declaração foi feita um dia após a aprovação do projeto, que recebeu 370 votos favoráveis e 110 contrários.
Em entrevista à Jovem Pan News, Motta afirmou: “O governo tem que explicar hoje à sociedade brasileira por que ficou contra [a proposta], porque, para o cidadão, o que importa é o que de fato irá acontecer na prática e o que vai melhorar a qualidade da segurança pública no Brasil”.
A votação ocorreu na terça-feira (18). A base governista tentou barrar a análise do projeto por meio de requerimentos de adiamento e de retomada do texto original enviado pelo presidente Lula, mas as tentativas foram rejeitadas pela maioria dos deputados.
Motta classificou a posição do governo como “erro” e disse que ela contraria o desejo da população por mais segurança. Ele declarou: “Eu penso que, ao final, o governo ter ficado contra foi um erro, porque está indo contra um anseio da sociedade. Você acha que o cidadão que nos assiste está satisfeito com a segurança pública do país, que a dona de casa que vê seu filho muitas vezes sair para trabalhar sem saber se ele volta, quer saber o número da lei, quer saber quem é o presidente da Câmara, quem foi o relator da matéria? Não”.
O presidente da Câmara acrescentou: “Essa mãe de família quer garantir a segurança que ela precisa, que é ter o direito de ir e vir, se libertar das organizações criminosas que hoje dominam cidades e comunidades que o Estado não está nem conseguindo mais chegar”.
Após a aprovação do projeto, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, criticou o texto. Segundo ele, a proposta “asfixia financeiramente” a Polícia Federal. O ministro classificou a aprovação como “delicada” para o país.
Em resposta, Motta afirmou: “Eles terão muita dificuldade em construir uma narrativa contra um projeto que atende a ampla maioria da sociedade brasileira. Eu respeito quem divergiu ou quem votou contra, mas que, na verdade, não tiveram a humildade de tecnicamente reconhecer os avanços que inclusive o ministro da Fazenda nos pediu e o relator atendeu”.
Antes da votação final, Motta declarou a jornalistas que a Câmara “melhorou” o texto enviado pelo Executivo. Segundo ele, o papel do Legislativo é aperfeiçoar propostas encaminhadas pelo governo.
