O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), afirmou que está analisando possíveis punições aos parlamentares que tumultuaram a sessão de retomada dos trabalhos na última quarta-feira (6). Em entrevista, Motta disse que a Mesa Diretora avalia a possibilidade de suspender o mandato dos deputados que dificultaram o início das atividades legislativas.
“Existem pedidos de lideranças para punir este ou aquele deputado. Estamos avaliando. É uma decisão conjunta da Mesa”, declarou Motta, ressaltando que “atitudes que não colaboram para o bom funcionamento da Casa precisam ser coibidas”.
O deputado citou a perda de mandato como possível punição e afirmou ainda que imagens do tumulto estão sendo avaliadas. Logo após o presidente retomar a cadeira e encerrar seu discurso, Nikolas Ferreira (PL-MG) caiu no chão, acusando a deputada Camila Jara (PT-MS)mde desfirar um soco abaixo da sua cintura. Ela nega.
A ocupação da Mesa Diretora por parlamentares da oposição foi um protesto para pressionar a votação do projeto de anistia aos envolvidos no 8 de Janeiro e da PEC do fim do foro privilegiado.
Na mesma entrevista, o presidente da Câmara condicionou a votação da anistia a dois fatores: a existência de maioria e a ausência de chantagem. Ele explicou que o “sentimento que o presidente deve respeitar é sempre o da maioria” e que as pautas avançam na Casa “sem imposição”.
A fala de Motta contraria a versão da oposição, que alegou ter fechado um acordo com líderes do Centrão para pautar essas agendas em troca da desobstrução do plenário. “Muitas das vezes, por exemplo, pautamos matérias antipáticas ao governo. Nós também pautamos matérias antipáticas à oposição. O presidente, que muitas vezes nem vota nas matérias porque tem que agir como magistrado”, disse ao Portal Metrópoles.
Para Motta, deve haver “ambiente político” para pautar anistia e o fim do foro privilegiado, acrescentando que “chantagem” não é instrumento para levar votações ao plenário.
