O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), afirmou nesta quinta-feira (4) que a votação do projeto de lei da anistia para os envolvidos nos atos de 8 de janeiro ainda não tem uma data definida, apesar da crescente pressão de líderes da oposição e do apoio do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Rep).
A declaração de Motta ocorre em meio a uma intensa articulação política na Casa, que busca perdoar os condenados e réus, incluindo Jair Bolsonaro. O plano da oposição é pautar o projeto após o fim do julgamento do ex-presidente no STF, que acaba na próxima terça (12).
Motta disse estar “muito tranquilo” em relação à discussão do tema e destacou que tem ouvido todos os membros da Câmara, tanto os favoráveis quanto os contrários à proposta.
“Nós estamos muito tranquilos com relação à discussão dessa pauta, não há ainda nenhuma definição. Nós estamos sempre ouvindo o colégio de líderes [partidários]”, disse
Ele confirmou que Tarcísio de Freitas tem “interesse público” na pauta e que os dois se reuniram em Brasília nesta semana para tratar do assunto. Com o início do julgamento na Primeira Turma do STF, o governador paulista passou a apoiar publicamente um perdão a Bolsonaro, chegando a dizer que esse seria seu primeiro ato como presidente.
“O governador é um querido amigo, é do nosso partido, nós temos dialogado sempre, não tem nenhuma novidade com relação a isso. O governador tem um interesse em que se paute a anistia, isso é público. E nós estamos ouvindo a todos. Estamos ouvindo os líderes que têm interesse [na anistia] e aqueles também que não têm interesse”, completou.
A estratégia, capitaneada pelo chefe do Executivo paulista e pelo líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante (RJ), busca beneficiar Bolsonaro, e pode garantir a Tarcísio o apoio do ex-presidente em uma possível disputa presidencial em 2026.
Segundo Sóstenes, a articulação já garantiu a quantidade votos necessários para aprovar o projeto na Câmara — até esta quarta (3), 292 parlamentares estariam a favor.
Apesar da confiança da oposição, o governo se movimenta para barrar a medida. O presidente Lula criticou a proposta e alertou sobre os riscos de sua aprovação, enquanto o líder do PT na Câmara, Lindbergh Farias, afirmou que a base governista está mapeando os votos para tentar dissuadir os deputados de apoiar o texto.
