Motta diz que votação da anistia ainda não tem data definida
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Política

Motta admite pressão por anistia, mas diz que votação não está definida

Hugo Motta vai levar oito projetos de lei à votação de urgência no plenário, priorizando ações de segurança pública

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Por Isac Mascarenhas

O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), afirmou nesta quinta-feira (4) que a votação do projeto de lei da anistia para os envolvidos nos atos de 8 de janeiro ainda não tem uma data definida, apesar da crescente pressão de líderes da oposição e do apoio do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Rep).

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A declaração de Motta ocorre em meio a uma intensa articulação política na Casa, que busca perdoar os condenados e réus, incluindo Jair Bolsonaro. O plano da oposição é pautar o projeto após o fim do julgamento do ex-presidente no STF, que acaba na próxima terça (12).

Motta disse estar “muito tranquilo” em relação à discussão do tema e destacou que tem ouvido todos os membros da Câmara, tanto os favoráveis quanto os contrários à proposta.

“Nós estamos muito tranquilos com relação à discussão dessa pauta, não há ainda nenhuma definição. Nós estamos sempre ouvindo o colégio de líderes [partidários]”, disse

Ele confirmou que  Tarcísio de Freitas tem “interesse público” na pauta e que os dois se reuniram em Brasília nesta semana para tratar do assunto. Com o início do julgamento na Primeira Turma do STF, o governador paulista passou a apoiar publicamente um perdão a Bolsonaro, chegando a dizer que esse seria seu primeiro ato como presidente. 

“O governador é um querido amigo, é do nosso partido, nós temos dialogado sempre, não tem nenhuma novidade com relação a isso. O governador tem um interesse em que se paute a anistia, isso é público. E nós estamos ouvindo a todos. Estamos ouvindo os líderes que têm interesse [na anistia] e aqueles também que não têm interesse”, completou.

A estratégia, capitaneada pelo chefe do Executivo paulista e pelo líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante (RJ), busca beneficiar Bolsonaro, e pode garantir a Tarcísio o apoio do ex-presidente em uma possível disputa presidencial em 2026.

Segundo Sóstenes, a articulação já garantiu a quantidade votos necessários para aprovar o projeto na Câmara — até esta quarta (3), 292 parlamentares estariam a favor.

Apesar da confiança da oposição, o governo se movimenta para barrar a medida. O presidente Lula criticou a proposta e alertou sobre os riscos de sua aprovação, enquanto o líder do PT na Câmara, Lindbergh Farias, afirmou que a base governista está mapeando os votos para tentar dissuadir os deputados de apoiar o texto.

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