Moraes vota para condenar nove réus do núcleo 3
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Justiça

Moraes vota para condenar nove réus do núcleo 3

O ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal)
Foto: Victor Piemonte/STF

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Por Mariana Albuquerque

Jornalista e pós-graduada em Direito Legislativo.

Ministro aponta atuação coordenada de militares e um agente da PF para preparar ruptura institucional

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, votou nesta terça-feira (18) para condenar nove dos dez réus do núcleo 3 no processo da suposta tentativa de golpe após as eleições de 2022. O grupo é composto por nove militares, incluindo integrantes das Forças Especiais do Exército conhecidos como “kids pretos”, e um agente da Polícia Federal.

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Segundo a acusação, eles teriam planejado assassinatos de autoridades — entre elas o presidente Lula, o vice Geraldo Alckmin e o próprio ministro Alexandre de Moraes.

Pela primeira vez no julgamento, Moraes votou pela absolvição completa de um investigado. No caso do general Estevam Theophilo, o ministro afirmou que as provas remanescentes derivam exclusivamente da delação de Mauro Cid, o que, em sua avaliação, gera “dúvida razoável” e impede a condenação. Um depoimento do ex-comandante do Exército Freire Gomes, inicialmente usado como reforço à acusação, foi retificado durante a ação penal.

Para os demais réus, Moraes pediu condenação pelos cinco crimes listados pela PGR: organização criminosa armada, golpe de Estado, tentativa de abolição do Estado Democrático de Direito, dano qualificado ao patrimônio da União e deterioração do patrimônio público.

Ao longo de quase três horas de voto, Moraes afirmou que as provas revelam criação e disseminação de narrativas falsas sobre fraude eleitoral entre o primeiro e o segundo turno de 2022, com o objetivo de desacreditar o processo e preparar ambiente para ruptura institucional. O ministro destacou mensagens que indicam discussões sobre uso de tropas, pressão sobre o alto comando do Exército e monitoramento de autoridades a partir de 21 de novembro daquele ano.

Segundo Moraes, esse conjunto de atos demonstra unidade de propósitos e conexão direta com o núcleo 1 da trama, liderado por Jair Bolsonaro.

Nos casos de Márcio Nunes de Rezende Júnior e Ronald Ferreira de Araújo Júnior, o ministro propôs desclassificação das acusações, votando para condená-los por incitação e associação criminosa. Ele afirmou que não há elementos suficientes que sustentem vínculo orgânico com a organização criminosa, mas que ambos estimularam animosidade contra as Forças Armadas. Por se tratar de crimes mais leves, os dois podem negociar acordo de não persecução penal com a PGR.

Após o voto de Moraes, o ministro Cristiano Zanin será o próximo a se manifestar, seguido por Cármen Lúcia e pelo presidente do colegiado, Flávio Dino.

Quem são os réus do núcleo 3

  • Bernardo Corrêa Netto – Coronel do Exército; segundo a PGR, pressionou o comandante do Exército e organizou encontros de militares para apoiar o decreto golpista.
  • Estevam Theophilo – General da reserva; acusado de estimular Bolsonaro a assinar o decreto e coordenar ações militares. Moraes votou pela absolvição.
  • Fabrício Moreira de Bastos – Coronel; teria participado de reuniões e elaborado diretrizes estratégicas, incluindo o documento “Ideias Força”.
  • Hélio Ferreira Lima – Tenente-coronel; apontado como autor da “Operação Luneta”, que detalhava fases do golpe e o monitoramento de Moraes.
  • Márcio Nunes de Rezende Júnior – Coronel; cedeu prédio para reunião dos “kids pretos”. Moraes votou por desclassificação para incitação e associação criminosa.
  • Rafael Martins de Oliveira – Tenente-coronel; coidealizador da “operação Copa 2022”, que previa sequestro e morte de Moraes.
  • Rodrigo Bezerra de Azevedo – Tenente-coronel; teria participado do monitoramento de Moraes usando aparelhos clandestinos.
  • Ronald Ferreira de Araújo Júnior – Tenente-coronel; segundo a PGR, divulgou carta de pressão ao comandante do Exército. Moraes votou por incitação e associação criminosa.
  • Sérgio Ricardo Cavaliere de Medeiros – Tenente-coronel; atuou na difusão pública da carta e buscou enfraquecer autoridades militares.
  • Wladimir Matos Soares – Agente da PF; teria fornecido informações sobre a segurança da posse e apoiado etapas de execução do plano golpista.

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