Pastor é acusado de injúria e calúnia após chamar cúpula militar de “frouxa” em manifestação
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, vai decidir se o pastor Silas Malafaia cometeu crime ao chamar o alto comando do Exército de “frouxo” durante uma manifestação política.
No início de janeiro, Moraes concedeu prazo de 15 dias para que Malafaia apresente manifestação sobre a denúncia oferecida pela Procuradoria-Geral da República. O órgão atribui ao pastor os crimes de injúria e calúnia contra o comandante do Exército, Tomás Miguel Miné Ribeiro.
A acusação tem origem em dois inquéritos relatados por Moraes — o das Fake News e o das Milícias Digitais — instaurados há mais de cinco anos. Apesar de Malafaia não possuir foro por prerrogativa de função, o caso tramita no STF.
As declarações ocorreram em abril de 2025, durante ato na Avenida Paulista. No discurso, Malafaia criticou a atuação do Exército diante da prisão do general Walter Braga Netto, determinada pelo próprio Moraes. Na ocasião, afirmou:
“Cadê esses generais de quatro estrelas do alto comando do Exército? Cambada de frouxos. Cambada de covardes. Cambada de omissos. Vocês não honram a farda que vestem. Não é para dar golpe, é para marcar posição”.
Segundo a PGR, a fala teria ofendido a dignidade e o decoro do alto comando militar e imputado, de forma indireta, crime de prevaricação. O vídeo do discurso alcançou cerca de 300 mil visualizações, segundo o órgão.
Especialistas ouvidos pela reportagem apontam que Malafaia não citou nomes específicos durante a manifestação, requisito considerado relevante para a caracterização de crimes contra a honra. Também destacam que figuras públicas inseridas no debate político estão sujeitas a críticas contundentes.
A controvérsia é ampliada pelo fato de o discurso ter sido direcionado a uma decisão judicial tomada pelo próprio relator do caso. Juristas afirmam que esse contexto levanta questionamentos sobre impedimento e imparcialidade.
Após a manifestação da defesa, o STF decidirá se aceita ou não a denúncia. Caso o processo avance na Corte, não haverá possibilidade de recurso a instância superior.
