Adotando um tom típico de procurador, Alexandre de Moraes abriu há pouco o julgamento que decidirá sobre a instauração da ação penal contra Jair Bolsonaro e aliados. Ele foi seguido de Paulo Gonet, o PGR real, que leu em tom moderado a extensa e precária denúncia contra o grupo, repisando ilações de uma trama golpista organizada desde 2021.
Considerando o tom político do julgamento, Bolsonaro decidiu acompanhar a sessão presencialmente, ao lado de seus advogados. Fitar diretamente os ministros que pretendem claramente condená-lo tem um efeito psicológico importante, além de marcar posição no noticiário.
Se for esperto, o ex-presidente dará entrevista à mídia ao fim da sessão de hoje, para contrapor as acusações e votos que venham a ser apresentados, forçando grandes veículos e emissoras, como a Globo, a reproduzirem suas manifestações e não apenas a dos ministros do STF.
Os advogados também poderão fazer suas sustentações orais, expondo as fragilidades da denúncia e ilegalidades envolvendo a delação de Mauro Cid, que sustentam a acusação de golpe. A abertura da ação penal, considerando a atual composição da Primeira Turma, parece protocolar e é.
Na verdade, todos já sabem que Bolsonaro será condenado. O PT conseguiu até colocar sua TV dentro do STF para retransmitir todo o teatro. Se é um teatro, que cada personagem possa exercer o seu papel.
