Ministro do STJ ligou para chefe da PF para saber de operação - Claudio Dantas
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Política

Ministro do STJ ligou para chefe da PF para saber de operação

STJ - Divulgação

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Por Redação

O ministro Mauro Campbell Marques, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), afirmou que telefonou para o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, para saber se houve identificação de algo irregular nas buscas realizadas em uma investigação sobre vazamento de informações sigilosas da corte.

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Campbell, que também atua como corregedor nacional de Justiça, não é investigado. Segundo ele, a PF confirmou que “nenhuma irregularidade foi encontrada” em relação ao caso, segundo a Folha.

A apuração envolve uma operação relatada pelo próprio ministro, e parte das suspeitas diz respeito à possível venda de decisões dentro do tribunal. Campbell conduz um processo administrativo disciplinar interno sobre o caso, paralelo à investigação da PF.

O tema foi comentado durante evento da OAB em Madri, que reúne nomes da cúpula do Judiciário. Campbell participou de um painel ao lado do advogado-geral da União, Jorge Messias; do presidente do TCU, Vital do Rêgo; e do advogado-geral da Petrobras, Wellington Silva.

Ministros ouvidos pela reportagem afirmaram que o clima no STJ é “tranquilo”, apesar da investigação da PF e do STF. Um deles disse que colegas como Og Fernandes, Isabel Gallotti, Nancy Andrighi e Paulo Moura, que não viajaram a Madri, estão mais reservados. Outro ministro declarou que não comentaria “por envolver gabinetes de colegas”.

Gilmar Mendes, do STF, também presente no seminário, negou tensão entre os tribunais: “Não, não \[há constrangimento]. As investigações estão se fazendo com toda a clareza e, em muitos casos, os ministros mesmo que denunciaram a partir de suspeitas surgidas, e isso será devidamente esclarecido.”

Outro ponto de desconforto no STJ é a demora do presidente Lula (PT) em nomear dois novos ministros para a corte. As vagas existem desde as aposentadorias de Laurita Vaz, em outubro de 2023, e Assusete Magalhães, em janeiro deste ano.

Uma das cadeiras deve ser preenchida por um integrante do Ministério Público, e a outra por um desembargador de Tribunal Regional Federal. Enquanto isso, dois juízes convocados ocupam os postos provisoriamente.

Nos bastidores, magistrados atribuem o atraso a entraves políticos. Segundo apurou a Folha, Lula estaria frustrado com a ausência do nome de Rogério Favreto, do TRF-4, nas listas recebidas. Favreto é conhecido por ter concedido um habeas corpus a Lula durante um plantão em 2018 — decisão que foi rapidamente derrubada.

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